(Vigilância Ambiental - Vetores) Esquistossomose - Informações Gerais

ESQUISTOSSOMOSE

A esquistossomose constitui um grande problema de saúde pública.
Endêmica em 76 países estima-se que 200 milhões de pessoas estejam infectadas, 400 milhões corram risco de se contaminar e 200 mil morram por ano; é a segunda parasitose humana mais disseminada no mundo de acordo com a OMS.
Doença associada à pobreza, onde precárias condições de saneamento levam à utilização de águas naturais contaminadas para o exercício da agricultura, trabalho doméstico, lazer e consumo.
Foi descrita pela primeira vez em 1852, no Cairo, por Teodore Bilharz. Em homenagem ao seu descobridor, em alguns países a doença é conhecida por bilharziose.
Das seis espécies que atualmente podem provocar doença no homem, o Schistosoma mansoni foi o único que se desenvolveu no Continente Americano (SVS,2008).
Acredita-se que a doença chegou ao Brasil com os escravos africanos (SVS,2008). Entretanto, somente em 1907 o Schistossoma mansoni veio a ser descrito, na Bahia, pelo cientista Manuel Augusto Pirajá da Silva.
Do litoral, por onde primeiramente se estabeleceu, a esquistossomose se expandiu largamente pelo Brasil.
Atualmente com o processo de urbanização e migração, a doença encontra-se nas cinco regiões geográficas em que está dividido o país, alcançando 19 Unidades Federadas (SVS,2008) e causando aproximadamente seis milhões de casos por ano (MS,1998).

Conhecida popularmente como xistosa, xistossomose, doença dos caramujos ou barriga d´água é uma doença transmissível e parasitária que tem o homem como seu hospedeiro definitivo.
O Schistosoma mansoni é um parasita do ramo dos Platelmintos (vermes achatados), da classe trematódea, família Schistosomatidae e gênero schistosoma.
O período de incubação da doença é de 2 a 6 semanas após a infecção. Em geral depois de cinco semanas o doente começa a excretar ovos viáveis do verme nas fezes, permanecendo assim durante muitos anos.

Em contato com a água os ovos eclodem e liberam larvas, denominadas miracídios, que infectam caramujos do gênero Biomphalaria - hospedeiros intermediários que vivem na água doce. No Brasil, somente três espécies são consideradas hospedeiras intermediárias naturais da esquistossomose; B. glabrata, B. straminea e B. tenagophila.
Após quatro semanas as larvas abandonam o caramujo na forma de cercárias e ficam livres nas águas que, por preferência dos hospedeiros intermediários, geralmente são paradas ou de correnteza lenta. O contato dos seres humanos com essas águas é a maneira pela qual se adquire a doença. Os caramujos infectados liberam cercárias durante toda sua vida, que pode variar de semanas até três meses.

Na fase adulta, o parasita vive nos vasos sangüíneos do intestino e fígado do hospedeiro definitivo. Todas as fases, pelas quais ele passa, no interior do organismo do hospedeiro, podem provocar reação patológica. Entretanto, o ovo ao produzir o granuloma tecidual inflamatório, nos órgãos onde se deposita, é o mais importante agente patogênico da esquistossomose. Apenas uma parcela, dos ovos produzidos pelos vermes, é eliminada através das fezes do doente.

Na fase aguda alguns indivíduos podem apresentar manifestações cutâneas, do tipo urticariforme, em seguida ao contato com águas contaminadas com cercárias. Os demais sintomas surgem subitamente após a terceira ou quarta semana da contaminação e incluem, entre outros: febre, dor de cabeça, calafrios, suores, fraqueza, falta de apetite, dor muscular, tosse e diarréia.

Na fase crônica, o ovo é o agente patogênico responsável pela lesão típica da doença - o granuloma esquistossomótico, do qual derivam as manifestações clinicas. Esta fase costuma ser dividida em: intestinal, hepatointestinal e hepatoesplênica. A diarréia se torna mais constante, alternando-se com prisões de ventre, e pode aparecer sangue nas fezes. Além disso, o paciente pode sentir tonturas, dor de cabeça, sensação de plenitude gástrica, coceira no ânus, palpitações, impotência, emagrecimento e endurecimento do fígado, com aumento de seu volume. Nos casos mais graves o estado geral do paciente piora bastante, com emagrecimento e fraqueza acentuada e aumento do volume do abdômen.     As manifestações mais graves decorrem da hipertensão portal, traduzida pela presença de varizes gastroesofágicas que, quando rompem, são responsáveis por hemorragias e óbitos.
Das formas ectópicas por S. mansoni a esquistossomose medular é a mais grave e incapacitante. Embora sua prevalência não seja conhecida, o relato desses casos vem aumentando significativamente, apesar dos problemas de registros e notificação (SVS,2008).

O diagnóstico é feito mediante a realização do exame parasitológico de fezes. O método Kato-Katz é o preferido, porque permite a visualização e contagem dos ovos por grama de fezes, fornecendo um indicador seguro para se avaliar a intensidade da infecção e a eficácia do tratamento. Testes sorológicos possuem sensibilidade ou especificidade suficientes, mas não estão disponíveis na rotina.
O tratamento para os casos simples é domiciliar, medicamentoso, à base de Praziquantel ou Oxamniquine. Os casos graves geralmente requerem internação hospitalar e tratamento cirúrgico.
Nas áreas não endêmicas sua notificação é compulsória, entretanto, em regiões endêmicas é recomendável que todos os casos da forma grave sejam também notificados e se o objetivo for a eliminação da transmissão focal é fundamental a notificação de todos os casos. No Paraná todos os casos são notificados.
A primeira citação sobre o molusco no Estado do Paraná foi feita por Adolfo Lutz (1919). Este autor identificou Planorbis confusus em material coletado em Jataizinho pelo sanitarista Souza Araújo, posteriormente a espécie foi reclassificada como Biomphalaria glabrata (Luz,1998).

No Paraná a primeira observação sobre a esquistossomose foi a de Coutinho e Pessoa (1949), que descreveram um foco localizado em Jacarezinho. A partir daí, foram descobertos vários municípios com casos autóctones abrangendo todo norte do Estado, principalmente aqueles situados às margens das bacias do rio Cinzas, Tibagi, Paranapanema e Ivaí. De 1948 a 1997 há valiosas contribuições científicas sobre a sistemática, morfologia, biologia, distribuição geográfica e epidemiológica dos moluscos responsáveis pela manutenção da endemia no Paraná (Luz,1998).
Posteriormente, Luz e cols. (1998) realizaram no Estado a atualização sistemática, embasada no estudo minucioso das partes moles dos moluscos de água doce de interesse médico-sanitário, como também da sua distribuição geográfica e dispersão. Foram encontrados três gêneros da família Planorbidae: Biomphalaria, Drepanotrema e Antilorbis.                     Biomphalaria está representada por sete espécies: B. glabrata, B. intermédia, B. occidentalis, B. oligoza, B. peregrina, B. straminea e B. tenagophila. Drepanotrema por duas: D.cimex e D.lucidum e antilorbis por uma: A.nordestensis; distribuídas em 116 municípios do Paraná (Luz, 1998).

A hipótese de origem do foco da doença no Estado é atribuída à migração de trabalhadores infectados, oriundos de regiões endêmicas do nordeste e sudeste, atraídos pela fertilidade da terra do norte do Estado, principalmente para o plantio de café.

No decurso da história, os movimentos migratórios, estimulados pelas várias conjunturas sócio-econômicas, onde estão envolvidas um grande número de variáveis ambientais e populacionais interagentes, foram determinantes para a disseminação da doença. Entre elas, a presença do molusco hospedeiro intermediário é de fundamental importância, pois representa potencial para transmissão.

Apesar da presença das três espécies vetoras no Paraná, até o momento somente a B. glabrata tem sido positiva para transmissão, que ocorre basicamente na região norte, considerada área endêmica no Estado.

Desde 1993, o Ministério da Saúde tem trabalhado para implementar a descentralização das ações de controle da esquistossomose. Essas ações foram intensificadas a partir de 1999 e 2000, quando as Secretarias Municipais passaram a assumir gradativamente o controle desta endemia em seu território. Hoje, os municípios são responsáveis pela vigilância direta do agravo, assumindo compromissos e pactuando metas com as Secretarias Estaduais de Saúde, que coordenam e orientam as ações, baseadas no Programa de Controle da Esquistossomose (PCE), instituído pelo Ministério da Saúde.
Dentro deste esforço para controlar e quiçá eliminar o agravo no Paraná, diversas medidas estão sendo tomadas pela Secretaria Estadual de Saúde, a fim de que as ações de controle da doença sejam realizadas por todos os municípios da área endêmica, com enfoque principalmente na busca ativa de casos através de inquéritos coproscópicos, pesquisa de coleções hídricas para eliminação de focos e registro de ações e dados no programa criado para este fim pelo Ministério da Saúde.
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