(Vigilância Ambiental - Vetores) Esquistossomose - Projeto de atualização da carta malacológica


Tendo como referência estudos antigos, verifica-se que ao longo dos anos, houve a disseminação de moluscos da família Planorbidae pelo Estado do Paraná; temos o exemplo da Biomphalaria straminea, antes só encontrada na região de Guaíra, agora existe também em outras regiões (Luz, 1998). Sabe-se ainda, que no Porto de São Francisco do Sul (SC), trabalhadores vindos do Porto de Santos, trouxeram o Schistosoma mansoni adaptado ao parasitismo da Biomphalaria tenagophila, já existente no local. Constatou-se também, que a Biomphalaria Stramínea, tornou-se importante hospedeiro intermediário, em muitos locais onde a Biomphalaria glabrata era o principal transmissor. Isto demonstra a necessidade de se fazer um levantamento atualizado e investigar todos os caramujos, pois a distribuição e as adaptações destes moluscos, estão acontecendo.
Desta forma foi iniciado o Projeto de atualização da carta malacológica do Estado que pretende investigar a distribuição geográfica dos moluscos de importância médico-sanitária e sua dispersão, assim como a ocorrência de novos casos de esquistossomose no Estado do Paraná através da realização de coletas de moluscos de água doce. A partir dos exemplares encontrados deve-se:

  • Proceder a identificação dos moluscos através do estudo minucioso de suas partes moles;
  • Obter material biológico para montar a coleção malacológica com a fauna do Estado;
  • Identificar focos de transmissão do agravo;
  • Levantar e coletar dados sobre casos novos de esquistossomose ocorridos no Paraná.


Caracterização da área de estudo e metodologia

O Paraná é limitado ao leste pelo Oceano Atlântico, faz divisa ao sul com Santa Catarina e no Oeste com Argentina e Paraguay na tríplice fronteira, no noroeste com o Estado de Mato Grosso do Sul e norte, nordeste com São Paulo, onde a esquistossomose está presente. Sendo água doce, o habitat natural do vetor da doença, possui grandes rios limitando seu território e vastas bacias hidrográficas em toda sua extensão.
O clima subtropical úmido (mesotérmico) com temperaturas médias entre 22°C e 40 °C, sem estação seca definida, verão quente e geadas pouco freqüentes, que ocorrem característicamente nas regiões Norte, oeste e Vale do rio Ribeira (Wons,1985), são ideais para a proliferação do caramujo transmissor da esquistossomose.
A população foi estimada em 9.563.458 habitantes, sendo 7.786.084 na área urbana e 1.777.374 na área rural (IBGE,2001), demonstrando o grande êxodo da área rural, que leva famílias inteiras a aglomerarem-se, sem o mínimo de condições sanitárias, em áreas urbanas superpopulosas. Infelizmente, o homem do campo na maioria das vezes, também não possui saneamento básico adequado, o que perpetua o ciclo da doença.
Partindo do pressuposto, de que a dispersão da esquistossomose acompanhou a fertilidade da terra, através de movimentos migratórios; principalmente dos municípios que fazem fronteira com o Estado de São Paulo - que apresenta focos da doença.
Somando-se o fato das áreas litorâneas receberem pessoas ligadas a diversos portos, principalmente de Santos (SP) e São Francisco do Sul (SC) através do Porto de Paranaguá (PR).
Levando em consideração o fluxo das principais bacias hidrográficas do Estado: Rios Piquiri, Ivaí, Paraná, Pirapó, Paranapanema, Itararé, Cinzas, Laranjinha e Tibagi.
Foram selecionados 276 municípios, para realização de pesquisa malacológica. Como a Secretaria de Saúde do Estado, trabalha com a divisão do território Paranaense em Regionais de Saúde, o mesmo critério foi adotado para agrupar os municípos a serem trabalhados. Esta decisão, teve a finalidade de facilitar o entendimento e a execução das atividades, dentro das rotinas já estabelecidas no cotidiano de trabalho da Instituição.
A seguir os municípios selecionados:

Regional

Municípios

Antonina, Guaratuba, Guaraqueçaba, Matinhos, Morretes, Paranaguá e Pontal do Paraná

Adrianópolis, Cerro Azul, Doutor Ulysses, Itaperuçu, Rio Branco do Sul, Tunas do Paraná

Arapoti, Jaguariaíva, Sengés

Realeza

Foz do iguaçu, Itaipulândia, Matelândia, Medianeira, Missal, Ramilândia, Santa Terezinha do Itaipu, São Miguel do Iguaçu, Serranópolis do Iguaçu

10ª

Anahy, Braganey, Cafelândia, Campo Bonito, Cascavel, Céu Azul, Corbélia, Diamante do Sul, Formosa do Oeste, Guaraniaçu, Ibema, Iguatu, Iracema do Oeste, Jesuítas, Lindoeste, Nova Aurora, Santa Terezinha do Oeste, Vera Cruz do Oeste

11ª

Altamira do Paraná, Araruna, Barbosa Ferraz, Boa Esperança, Campina da Lagoa, Campo Mourão, Corumbataí do Sul, Engenheiro Beltrão, Farol, Fênix, Goioerê, Iretama, Janiópolis, Juranda, Luiziana, Mambore, Moreira Sales, Nova Cantu, Peabiru, Quarto Centenário, Quinta do Sol, Rancho Alegre d’Oeste, Roncador, Terra Boa, Ubiratã

12ª

Alto Piquiri, Altônia, Brasilândia do Sul, Cafezal do Sul, Cruzeiro do Oeste, Douradina, Esperança Nova, Francisco Alves, Icaraíma, Iporã, Ivate, Maria Helena, Mariluz, Nova Olímpia, Perobal, Pérola, São Jorge do Patrocínio, Tapira, Umuarama, Vila Alta, Xambrê

13ª

Cianorte, Cidade Gaúcha, Guaporema, Indianópolis, Japura, Jussara, Rondon, São Manoel do Paraná, São Tomé, Tapejara, Tuneiras do Oeste

14ª

Alto Paraná, Amaporã, Cruzeiro do Sul, Diamante do Norte, Guairacá, Inajá, Itaúna do Sul, Jardim Olinda, Loanda, Marilena, Mirador, Nova Aliança do Ivaí, Nova Londrina, Paraíso do Norte, Paranapoema, Paranavaí, Planaltina do Paraná, Porto Rico, Querência do Norte, Santa Cruz de Monte Castelo, Santa Isabel do Ivaí, Santa Mônica, Santo Antônio do Caiuá, São Pedro do Paraná, Tamboara, Terra Rica

15ª

Ângulo, Astorga, Atalaia, Colorado, Doutor Camargo, Floraí, Floresta, Flórida, Iguaraçu, Itaguapé, Itambé, Ivatuba, Lobato, Mandaguaçu, Marialva, Maringá, Munhoz de Melo, Nossa Senhora das Graças, Nova Esperança, Ourizona, Paiçandu, Paranacity, Presidente Castelo Branco, Santa Fé, Santa Inês, Santo Inácio, São Jorge do Ivaí, Sarandi, Uniflor

16ª

Apucarana, Arapongas, Bom Sucesso, Borrazópolis, Califórnia, Cambira, Faxinal, Grandes Rios, Jandaia do Sul, Kaloré, Marilândia do Sul, Marumbi, Mauá da Serra, Novo Itacolomi, Rio Bom, Sabaudia, São Pedro do Ivaí

17ª

Alvorada do Sul, Bela Vista do Paraíso, Cafeara, Cambé, Centenário do Sul, Florestópolis, Guaraci, Ibiporã, Jaguapitã, Jataizinho, Londrina, Lupionópolis, Miraselva, Pitangueiras, Porecatu, Prado Ferreira, Primeiro de Maio, Rolândia, Sertanópolis, Tamarana

18ª

Abatia, Andirá, Assai, Bandeirantes, Congoinhas, Cornélio Procópio, Itambaracá, Leópolis, Nova América da Colina, Nova Fátima, Nova Santa Bárbara, Rancho Alegre, Ribeirão do Pinhal, Santa Amélia, Santa Cecília do Pavão, Santa Mariana, Santo Antônio do Paraíso, São Jerônimo da Serra, São Sebastião da Amoreira, Sapopema, Sertaneja,Uraí

19ª

Barra do Jacaré, Cambará, Carlópolis, Conselheiro Mairinck, Figueira, Guapirama, Ibaiti, Jaboti, Jacarezinho, Japira, Joaquim Távora, Jundiaí do Sul, Pinhalão, Quatiguá, Ribeirão Claro, Salto do Itararé, Santana do Itararé, Santo Antônio da Platina, São José da Boa Vista, Siqueira Campos, Tomazina, Wenceslau Braz

20ª

Assis Chateaubriand, Diamante d’Oeste, Entre Rios do Oeste, Guaíra, Marechal Cândido Rondon, Maripá, Mercedes, Nova Santa Rosa, Ouro Verde do Oeste, Palotina, Pato Bragado, Quatro Pontes, Santa Helena, São José das Palmeiras, São Pedro do Iguaçu, Terra Roxa, Toledo, Tupãssi

21ª

Curiúva, Ortigueira, Telêmaco Borba, Tibagi

22ª

Arapuá, Ariranha do Ivaí, Cruzmaltina, Godoy Moreira, Ivaiporã,Jardim Alegre, Lidianópolis, Lunardelli, Mato Rico, Nova Tebas, Rio Branco do Ivaí, Rosário do Ivaí, Santa Maria do Oeste, São João do Ivaí

 

Coleta do material:

  1. As localidades deverão ser pesquisadas através de geoprocessamento, com a finalidade de identificação e caracterização dos criadouros;
  2. A natureza da coleção hídrica será registrada em formulário próprio (Diário de malacologia – PCE-102);
  3. Os pontos de captura serão selecionados dentro do município a partir da sede municipal, considerando os quatro pontos cardeais, distante um do outro aproximadamente 5 quilômetros. Nesses pontos serão pesquisadas todas as coleções hídricas compreendidas numa circunferência de 500 metros de raio. Considerando pontos a cada 50 passos para criadouro do tipo rio, córrego e riacho. A metodologia de captura de caramujos ocorrerá conforme as normas técnicas estabelecidas no Manual de Controle da Esquistossomose – Operações de Malacologia – Ministério da Saúde, 1995.

    Atualização da carta malacológica do Estado do Paraná:
    Municípios selecionados e municípios pesquisados.


Recomendar esta página via e-mail: