(Hantavirose) A História da Hantavirose no Paraná


Em 1998 a hantavirose apareceu no Paraná no município de Bituruna, pertencente a 6ª Regional de Saúde de União da Vitória. No mês de setembro de 1998, dois pacientes, marido e mulher, adoeceram e faleceram ao mesmo tempo, com quadro de insuficiência respiratória aguda.

Tal fato chamou a atenção dos profissionais da 6ª Regional de Saúde, levando-os a pensar em hantavírus. Todavia, como ambos os pacientes já haviam falecido quando a notificação foi realizada, não foi possível a coleta de amostras e conseqüente confirmação laboratorial. Por isso, foram considerados “suspeitos” de hantavirose. A partir desses dois casos, todo paciente com quadro clínico similar passou por uma investigação mais profunda, tentando caracteriza-la. Eles foram os dois únicos casos suspeitos em 1998. No ano de 1999, em janeiro, no município de Honório Serpa, pertencente a 7ª Regional de Saúde de Pato Branco, ocorreu um caso suspeito de leptospirose, cuja sorologia resultou negativa. O paciente, após queda do leito no hospital onde esteve internado, fez fratura de crânio, vindo a falecer no dia 20/01/99. O Laboratório Central do Estado guardou parte do soro utilizado para o diagnóstico de leptospirose e, com a confirmação do primeiro caso de hantavírus em outubro/99, enviou o mencionado soro para diagnóstico de hantavírus, que resultou positivo para o vírus Sin Nombre, sendo este, portanto, o primeiro caso confirmado laboratorialmente no Estado do Paraná, mas não o caso índice, já que só ficou conhecido em novembro.

No mês de agosto de 1999, em Cruz Machado, a paciente A. N. K., trabalhadora na área rural, apresentou quadro de insuficiência respiratória aguda e evoluiu para óbito. Os profissionais que a atenderam no Hospital Regional de União da Vitória suspeitaram de hantavirose e coletaram amostra para exame laboratorial.

Em outubro de 1999, o Instituto Adolfo Lutz de São Paulo confirmou a positividade para hantavírus Sin Nombre. Este caso se constitui no “caso índice”, uma vez que foi o primeiro caso confirmado da doença. Logo após a confirmação do primeiro caso em Cruz Machado em outubro/99 – (A.N.K.) – profissionais do nível central do CSA se deslocaram até a residência da vítima para a análise epidemiológica do caso, quando se constatou a presença de inúmeros locais ou fatores de risco do meio ambiente, como presença de roedores, paióis com depósito de milho, feijão, ou outros alimentos, não sendo possível estabelecer o local ou a maneira de transmissão. Em seguida procederam-se várias reuniões com a comunidade local, professores, sindicatos, associações, ‘profissionais da área de saúde, agricultores, políticos, etc... com a finalidade de explicar o que estava ocorrendo e a maneira de se prevenir outras ocorrências. Na cidade de União da Vitória – sede da 6º R.S. procedeu-se a uma reunião técnica com médicos e enfermeiros de todos os municípios que pertencem à 6º R.S. inclusive médicos de hospitais (UTI), para se estabelecer o diagnóstico, a terapêutica de suporte e o encaminhamento de pacientes (referências). Confeccionou-se o Manual de Hantavírus, que foi distribuído para todos os médicos e Postos de Saúde da R.S., contemplando, basicamente, o atendimento emergencial.

Após essas atividades, é que apareceram os últimos 3 casos que, por terem sido atendidos com presteza e qualidade, face à suspeita clínica, obtiveram a cura. Todos os óbitos ocorreram antes da confirmação laboratorial do “caso índice”. Até o final do ano de 1999, havia o registro de dez casos de hantavirose no Paraná. Dentre eles, cinco foram confirmados laboratorialmente pelo encontro de IgM para o vírus Sin Nombre e cinco foram considerados como suspeitos em razão das histórias epidemiológicas e clínicas apresentadas. Desses dez casos, sete evoluíram para óbito e os três últimos para a cura.

No ano de 2000, novos casos apareceram, a partir de agosto, todos envolvidos com corte de Pinus, no município de General Carneiro. Até a presente data (1/12/00) sete casos foram confirmados para hantavírus Sin Nombre pelo Instituto Adolfo Lutz. Desses sete casos, dois evoluíram para óbito. Novas reuniões com a comunidade local, envolvendo empresários da madereira, professores, profissionais da área de saúde, e outros foram realizadas. Com os madeireiros foram discutidas também, medidas de controle para serem implementadas imediatamente em todos os acampamentos, como: guarda de alimentos para pessoas e para animais, coleta de lixo, restos de alimentos, fossas sépticas e outras que, de alguma maneira, possam atrair roedores e
a construção de novas habitações à prova de roedores também foram objetos de discussões.

Em novembro de 2000, houve sete óbitos na 5ª Regional de Saúde, nos municípios de Arroio Bonito, Guarapuava, Laranjeiras do Sul, Turvo e Pinhão de sete pessoas que trabalhavam em área de reflorestamento de Pinus. Desses casos, três foram confirmados laboratorialmente, seis foram a óbito e quatro ainda aguardam resultado do Instituto Adolfo Lutz. Na 2ª Regional de Saúde, tivemos dois casos confirmados por laboratório, com dois arqueólogos que estavam realizando pesquisas arqueológicas na região da represa Capivari-Cachoeira, nos municípios de Campina Grande do Sul e Bocaíuva do Sul. Haverá uma reunião técnica com todas as RS e Secretarias Municipais de Saúde do Estado para implantar a vigilância epidemiológica de hantavirose no Paraná, incluindo-se a necessidade do diagnóstico precoce e pronta intervenção para evitar óbitos. Também será implantada a vigilância eco-epidemiológica de roedores. E, para isso, haverá aquisição de equipamentos de segurança, apoio técnico do Instituto Adolfo Lutz, capacitação prévia de pessoal para identificação de reservatórios (roedores silvestres) da hantavirose no Paraná. Já está sendo confeccionado o material técnico e educativo para informar os profissionais de saúde e população em geral a respeito da hantavirose.
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