(Doença Diarréica Aguda) O que é

Doença Diarréica Aguda

A diarréia, embora reconhecida como importante causa no quadro da morbi-mortalidade do país, até o presente não teve sua inclusão consolidada com sucesso no sistema de Vigilância Epidemiológica. As tentativas realizadas tem sido pontuais, decorrendo do interesse em analisar algumas características ou episódios isolados.

As dificuldades em vigiar as doenças diarréicas decorrem, fundamentalmente, de sua elevada incidência, da inobservância da obrigatoriedade de notificação de surtos e da aceitação tanto de parte da população leiga, como da maioria dos técnicos, de que a ocorrência da diarréia é "normal" em nosso meio.

Independente da etiologia, este agravo tem causado danos globais de grande magnitude ao país. Isto ocorre tanto de forma direta - com o rebaixamento das condições de saúde dos indivíduos, em conseqüência da desidratação, desnutrição crônica e intercorrências; como de forma indireta - se considerarmos o abalo à economia causado pelos custos das internações, perda de horas de trabalho do paciente ou familiar, redução de renda familiar, entre outros.

As propostas que foram definidas até o momento têm se mostrado eficazes apenas no que diz respeito à atenção aos casos, já que a introdução do TRO mudou drasticamente a evolução da doença. Por outro lado, as intervenções mais amplas, de caráter preventivo e promotoras do bem-estar, ainda não estão devidamente contempladas. Aqui se enquadram as medidas de controle epidêmico e de proteção ambiental, que compõem com a assistência o conjunto capaz de realmente controlar este agravo.

Por outro lado, a situação atual dos serviços de vigilância epidemiológica, responsáveis pelas informações e análises alimentadoras do sistema de saúde, não encoraja a tentativa de desencadear um processo de vigilância sobre as doenças diarréicas com todos os seus passos, desde a notificação até a investigação. A magnitude deste agravo por certo congestionaria aqueles serviços que atravessam um momento mais precário, agravado pela transição determinada pelo processo da necessária municipalização. Há ainda a consciência de que é improdutivo tentar manter informações detalhadas sobre todo o universo das diarréias. Importa, isto sim, conhecer suas tendências e manter avaliações contínuas a nível local.

Num país onde os recursos são escassos, particularmente os destinados à saúde, é essencial que os planejadores disponham de informações e diagnósticos bem fundamentados que lhes permitam elaborar propostas adequadas, capazes de mudar positivamente o quadro sanitário, e com custo - benefício aceitável.

É premente a necessidade de se organizar um sistema capaz de colher, registrar e analisar, com suficiente agilidade os dados referentes as doenças diarréicas. Para que isto se torne viável em futuro próximo, estas ações deverão ser simplificadas e descentralizadas, atendendo aos interesses atuais de municipalização da Vigilância Epidemiológica.

A partir destas considerações, surge a decisão de iniciar o processo de monitorização de doenças diarréicas, capaz de dotar tanto os setores administrativos, quanto os operacionais, de instrumentos que permitam consolidar conclusões que agilizem as decisões e intervenções eficazes no enfrentamento ao problema.

O sucesso no controle das doenças diarréicas agudas por certo dependerá de um sistema bem organizado, capaz de fornecer informações objetivas e atualizadas, mas não obrigatoriamente de alta complexidade.

As interfaces da Vigilância Epidemiológica deverão estar bem definidas em relação a outros programas, como o Materno-Infantil, Vigilância Sanitária, Saneamento e Educação. Esta integração, mais do que retórica, deverá ocorrer de fato e contar com uma fluidez capaz de produzir resultados imediatos e eficazes no que diz respeito à tomada de decisão e definição de ações.

O fato novo é que se propõe um planejamento municipalizado que, embora supervisionado e assessorado pelos níveis estaduais e federal, deverá centrar-se nas necessidades locais e potencializar a capacidade instalada dos serviços de saúde.

Os dados a serem coletados e as informações geradas deverão ter uma orientação prática, ou seja, servir a propósitos definidos resultantes da análise preliminar da situação local no que tange a aspectos geográficos, demográficos, sócio-econômicos, culturais e à rede assistencial.

Estas considerações devem deixar claro que não está sendo criado um novo programa de normas rígidas e pré-definidas, e sim um procedimento alternativo, inserido na vigilância epidemiológica que tenta respeitar os regionalismos sem perder de vista determinadas orientações homogeneizadoras que permitam a composição de um quadro da situação estadual e nacional das doenças diarréicas. Este procedimento que está sendo proposto é a Monitorização de Doença Diarréica Aguda.

A monitorização é utilizada principalmente para:

  • analisar indicadores de morbi-mortalidade com o intuito de detectar alterações que revelem modificações nas condições sanitárias da população, buscando identificar suas causas e caracterizar seus efeitos;

  • estabelecer a magnitude e grau de prioridade de um agravo;

  • coletar e analisar sistematicamente as informações visando recomendar medidas imediatas de controle, de acordo com as normas e recomendações disponíveis.

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