(Hantavirose) Aspectos Clínicos e Epidemiológicos - página 4

Protocolo de Procedimentos Médicos

A implantação da Vigilância Epidemiológica da Síndrome Pulmonar por Hantavírus (SPH) tem se mostrado cada vez mais necessária para melhor conhecimento do seu comportamento e introdução de medidas de prevenção.
Esta vigilância deverá ser capaz de proporcionar informações adequadas, em tempo hábil e na forma correta, para que se efetuem ações de controle. Principalmente deve antecipar-se na ocorrência de processos patológicos comuns à síndrome, detectando o caso em seu início, evitando as formas graves e, conseqüentemente, óbitos. Em um período de tempo maior, o seguimento e a análise da tendência e ocorrência da síndrome é de muita importância para detectar qualquer eventual mudança epidemiológica, que necessite uma intervenção imediata.

Caso Suspeito: Paciente com antecedentes epidemiológicos, geralmente acima de 10 anos de idade, que apresenta febre e mialgias em grandes grupos musculares:
1- Se o quadro for severo: realizar hemograma com contagem de plaquetas. Se resultar: hematócrito igual ou acima de 50, ou - Contagem de plaquetas abaixo de 150.000, ou presença de linfócitos atípicos:considerar o caso como suspeito e internar em UTI com muita urgência.
2- Se o quadro for moderado ou leve: medir a freqüência respiratória e a saturação de oxigênio:
a) Se a freqüência respiratória estiver menor do que 24 movimentos respiratórios por minuto, ou se o nível de saturação de oxigênio estiver maior do que 90%, considerar o caso como não suspeito.Todavia, nova avaliação deve ser feita em 24 horas.
b) Se a freqüência respiratória estiver acima de 24 movimentos respiratórios por minuto, ou o nível de saturação de oxigênio estiver menor do que 90%, fazer Rx de tórax:
- Se a imagem apresentar padrão lobar, considerar o caso como não suspeito.
- Se a imagem apresentar infiltração intersticial, bilateral, considerar o caso como suspeito e internar em UTI urgentemente.
- Ainda, solicitar hemograma com contagem de plaquetas, e considerar o indicado no item número 1.

Critérios de Exclusão: Pacientes com doença pulmonar severa prévia, imunodeficiência adquirida ou congênita, que faça uso de terapia imunossupresssora ou doença que explique o quadro pulmonar atual (traumatismo torácico, história prévia de aspiração, pneumonite tóxica).

Confirmação de Caso: Casos que se enquadrem nas definições acima deverão ser confirmados, junto ao quadro epidemiológico e prova laboratorial positiva. Deve ser colhido sorologia para exame específico ELISA ( IgM em soro ou soro conversão por IgG) e/ou histoquímica de órgãos e encaminhado ao LACEN, que enviará ao Laboratório de Referência Macrorregional. As amostras devem ser enviadas conforme normas do Instituto Adolfo Lutz em São Paulo, em anexo.
Em caso de óbito, proceder a necropsia , observando o aspecto macroscópico do pulmão conforme descrito no anexo.

Notificação de Casos Suspeitos: Casos suspeitos deverão ser notificados imediatamente ao Centro de Saúde Ambiental, na Secretaria Estadual da Saúde – Divisão de Zoonoses, por Telefone ou Fax (41-333-3425/333-4132)Deverá ser preenchida a Ficha Individual de Notificação, já existente no SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação – Nº A985) e posteriormente a ficha de Investigação de Hantavírus, que poderá ser solicitada ao Centro de Saúde Ambiental.

Fluxo de Notificação
Unidade de Saúde Local
Notificação e envio da amostra
Vigilância Epidemiológica do Município
Notificação e envio da amostra
Vigilância Epidemiológica da Regional
Envio da amostra Notificação
LACEN 
Centro de Saúde Ambiental (SESA) – Div. Zoonoses
Envio da amostra Notificação
Laboratório de Referência Macrorregional
(Instituto Adolfo Lutz) CENEPI – Coordenação Nacional de Controle de Zoonoses e Sorologia positiva Animais Peçonhentos 

Ações de Vigilância
- Na presença de casos suspeitos deve-se proceder a visita domiciliar, para observar a existência de comunicantes (pessoas que coabitam/utilizam o mesmo espaço) e se estes apresentam sintomatologia. Colher sorologia apenas dos comunicantes com sintomatologia sugestiva de SPH. Em caso de confirmação, deverá ser colhida sorologia de todos os comunicantes.
- Observar as condições de habitação, a presença ou não de roedores no domicílio e peri-domicílio, atividades de lavoura, presença de mata em torno da residência e acondicionamento da colheita.

Medidas de Controle
1- Em Relação a Fonte de Infecção:
Diminuir a entrada de roedores no domicílio, através das seguintes medidas:
- guardar a comida, inclusive ração de animais, em recipientes fechados;
- acondicionar o lixo em recipientes com tampa;
- não deixar restos de comida espalhados pela casa;
- lavar as louças e utensílios de cozinha logo após o uso;
- não deixar acumular entulho ou lixo ao redor da casa;
- cortar o mato em torno da casa;
- colocar a comida dos animais domésticos fora da casa, e não deixar restos no utensílio e
- cobrir todas as aberturas da casa com diâmetro acima de 1,5 cm.
2- Em Relação ao Modo de Transmissão:
No domicílio onde ocorreram casos:
- lavar o chão com água, detergente ou desinfetante (sem varrer anteriormente). Para este procedimento, deve-se ventilar o ambiente, utilizar luvas e máscaras de proteção.
- Trabalhadores de locais de risco, devem ser informados dos sintomas e prevenção da doença.

Bibliografia:
1- Síndrome Pulmonar por Hantavírus – Centro de Vigilância Epidemiológica "Prof. Alexandre Vranjac" – Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo – Divisão de Zoonoses.
2- Normas e Diretrizes para Vigilância de Hantavírus – Boletim Epidemiológico do CENEPI/FNS/MS – Abril e Maio de 1998.
3- CDC – a New Hantavírus – Videotape Graphica – 1993.
4- Secretaria da Saúde e do Meio Ambiente – Seção de Zoonoses e Vetores – Seção de Virologia – LACEN – "Síndrome Pulmonar por Hantavírus".

Fonte: Guia Brasileiro de Vigilância Epidemiológica 1998. 
Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde


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