(DVVTR - AGRAVOS EPIDEMIOLÓGICOS) COQUELUCHE


Coqueluche - CID10: A37
Doenças Infecciosas e Parasitárias

ASPECTOS CLÍNICOS E EPIDEMIOLÓGICOS
Descrição:
Doença infecciosa aguda e transmissível, que compromete especificamente o aparelho respiratório (traquéia e brônquios) e se caracteriza por paroxismos de tosse seca, cuja evolução se faz em três fases sucessivas:
Fase catarral - Com duração de uma ou duas semanas, inicia-se com manifestações respiratórias e sintomas leves (febre pouco intensa, mal-estar geral, coriza e tosse seca), seguidos pela instalação gradual de surtos de tosse, cada vez mais intensos e freqüentes, até que passam a ocorrer as crises de tosses paroxísticas.
Fase paroxística - A manifestação típica são os paroxismos de tosse seca (durante os quais o paciente não consegue inspirar e apresenta protrusão da língua, congestão facial e, eventualmente, cianose com sensação de asfixia), finalizados por inspiração forçada, súbita e prolongada, acompanhada de um ruído característico, o guincho, seguidos de vômitos. Os episódios de tosse paroxística aumentam em freqüência e intensidade nas duas primeiras semanas e, depois, diminuem paulatinamente. Nos intervalos dos paroxismos, o paciente passa bem.
Fase de convalescença - Os paroxismos de tosse desaparecem e dão lugar a episódios de tosse comum; esta fase pode persistir durante mais algumas semanas. Infecções respiratórias de outra natureza, que se instalam durante a convalescença da coqueluche, podem provocar reaparecimento transitório dos paroxismos. Lactentes jovens (menores de 6 meses) são propensos a apresentar formas graves, muitas vezes letais. Indivíduos inadequadamente vacinados podem apresentar formas atípicas da doença.

Agente etiológico: Bordetella pertussis, bacilo gram negativo aeróbio, não esporulado, com cápsula e fímbrias.

Reservatório: O homem.

Modo de transmissão: Contato direto da pessoa doente com pessoa suscetível (gotículas de secreção) ou por objetos recém contaminados.

Período de incubação: Sete a catorze dias.

Período de transmissibilidade: Desde o final do período de incubação até 3 semanas após o início da tosse (fase paroxística), contados 7 dias após o contato.

Complicações: Pneumonias, atelectasia, broquietasia, enfisema, pneumotórax, ruptura de diafragma, apnéia, encefalopatia aguda, convulsões, coma, hemorragias intra-cerebrais, hemorragia sub-dural, hemorragias sub-conjuntivais, epistaxe, edema da face, hérnias, desidratação e/ou desnutrição (devido a vômitos freqüentes pós-crise).

Diagnóstico: Em geral, é clínico-epidemiológico. A confirmação laboratorial de excelência é o isolamento da cultura da Bordetella pertussis, com material colhido de secreções de nosofaringe, semeado em meio de cultura (Regan- Lowe ou Bordet-Gengou). Observação: A coleta do material para semeadura em meio de cultura deve, preferencialmente, ser feita com um bastão especial cuja ponta é coberta por "dacrou" ou de alginato de cálcio, pois o algodão do swab pode interferir na probabilidade de sucesso da cultura.

Diagnóstico diferencial: Traqueobronquites, bronqueolites, adenoviroses, laringites e outras síndromes coqueluchóides.

Tratamento: Medicamentos sintomáticos. A eritromicina pode ser administrada para
promover a diminuição do período de transmissibilidade da doença.

Características epidemiológicas: Doença de distribuição universal. A incidência independe da raça, clima e situação geográfica. Em populações aglomeradas, ocorre com maior freqüência no final do inverno e início da primavera. A letalidade é mais acentuada entre os lactentes (concentra mais de 50% dos óbitos).

VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA
Objetivo:
Conhecer os casos visando adotar medidas de controle através do uso de vacinas.

Notificação: É doença de notificação compulsória.

Definição de caso:
a) Suspeito:
Todo indivíduo que apresenta tosse seca com duração de 14 dias ou
mais, e que tem história de contato com paciente de coqueluche;
b) Confirmado: Caso suspeito acrescido de um ou mais dos seguintes fatores: isolamento de Bordetella pertusis ; leucograma sugestivo (leucocitose com linfocitose); tosse paroxística seguida de vômito.

MEDIDAS DE CONTROLE: A vacinação é a medida mais eficaz e adequada de prevenção e controle da população infantil, com eficácia de 80%. Inicia-se a vacinação a partir de 2 meses até 6 anos de idade.

Esquema Básico: Três doses (com intervalo de 4 a oito semanas). Reforço com a vacina tríplice (DPT): 1° reforço aos 15 meses após a terceira dose e o segundo entre 4 e 6 anos de idade.

Vacinação de bloqueio: Na ocorrência de um surto, deve-se vacinar todos os contatos não vacinados, inadequadamente vacinados ou com estado vacinal desconhecido (suscetíveis). O esquema deve ser adequado ao estado vacinal de cada indivíduo. A vacina utilizada no país é a Tetravalente: (consiste na combinação DPT, proteção contra Difteria, Tétano, Coqueluche e Hib, proteção contra Haemophilus influenzae Tipo B). Contra-indicações: Criança com 7 anos e mais, criança com doença neurológica ativa; reação anafilática após a vacinação; história de hipersensibilidade aos componentes da vacina; convulsões até 72 horas após o uso da vacina; encefalopatia nos primeiros sete dias, após o uso da vacina; convulsão até 72 horas após o uso da vacina; colapso circulatório com choque ou com episódio hipotônico-hiporresponsivo até 48 horas após o uso da vacina.

Controle de comunicantes: A taxa de ataque secundário de crianças suscetíveis expostas é elevada (90%). Assim, as que estão com o esquema de vacinação incompleto devem ser observadas cuidadosamente quanto a sintomas respiratórios, durante 14 dias (o período máximo de incubação) a partir do contato. As crianças já vacinadas, menores de seis anos, que não receberam o reforço após um ano da última dose do esquema básico, deverão recebê-lo o mais breve possível após a exposição.

Quimioprofilaxia: Com eritromicina nos contatos menores de 6 anos (40mg/Kg/dia), durante 10 dias.

Isolamento e Desinfecção Concorrente e Terminal: É recomendada a desinfecção concorrente e terminal dos objetos contaminados com as secreções nasofaríngeas, bem como isolamento dos casos visando reduzir o risco para outras crianças.

Fonte: Doenças Infecciosas e Parasitárias: Guia de Bolso, Volume 1, 3ª edição, pág. 81 - Ministério da Saúde Brasília/DF - junho 2004

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