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(DVVTR - AGRAVOS EPIDEMIOLÓGICOS) MENINGITE POR HAEMOPHILUS INFLUENZAE


Meningite por Haemophilus Influenzae - CID10 G00.0
Doenças Infecciosas e Parasitárias

ASPECTOS CLÍNICOS E EPIDEMIOLÓGICOS
Descrição
- Infecção bacteriana aguda das meninges. É uma das formas mais graves de doença invasiva causada pelo Haemophilus influenzae, sendo mais comum na 1ª infância. Início geralmente súbito, com febre, cefaléia intensa, náuseas, vômitos e rigidez de nuca, aos quais se associam os sinais de irritação meníngea.
a) Sinal de Kerning - Resposta em flexão da articulação do joelho, quando a coxa é colocada em certo grau de flexão relativo ao tronco, pesquisa-se da seguinte forma: paciente em decúbito dorsal: eleva-se o tronco, fletindo-o sobre a bacia; há flexão da perna sobre a coxa e dessa sobre a bacia; ou paciente em decúbito dorsal; eleva-se o membro inferior em extensão, fletindo-o sobre a bacia, após pequena angulação, há flexão de perna sobre a coxa. Essa variante chama-se, também, manobra de Laségue.
b) Sinal de Brudzinski - Flexão involuntária da perna sobre a coxa e dessa sobre a bacia ao se tentar ante-fletir a cabeça. Sinais de comprometimento do sistema nervoso central, como delírio, coma, convulsões, paralisias, tremores, transtornos pupilares, hipoacusia, ptose palpebral e nistagmo. Lactentes raramente apresentam sinais de irritação meníngea, tendose que observar febre (ou hipotermia nos casos mais graves), irritabilidade ou agitação, grito meníngeo e recusa alimentar, acompanhada de vômitos, convulsões e abaulamento da fontanela.

Agente etiológico - Haemophilus influenzae do tipo b é o mais freqüente, podendo entretanto ocorrer meningite por outros sorotipos, a exemplo de (a, c, d, e, f). É um bacilo gram negativo, imóvel, capsulado, pleomórfico.

Reservatório - O homem doente ou portador sadio.

Modo de transmissão - Pelo contato direto pessoa a pessoa, doente ou portadora, através da via respiratória.

Período de incubação - Provavelmente curto, de 2 a 4 dias.

Período de transmissibilidade - Enquanto houver microorganismo na nasofaringe, geralmente até 24/48 horas após o início da terapêutica com antibiótico.

Complicações - As principais complicações são: perda da audição, distúrbio de linguagem, retardo mental, anormalidade motora e distúrbios visuais.

Diagnóstico - Clínico e laboratorial. O principal exame laboratorial é o do Líquido Céfalo Raquidiano, que se apresenta turvo, com cor branco leitosa ou xantocrômica. A bioquímica evidencia glicose e cloretos diminuídos, proteínas elevadas, celularidade muito aumentada devido a presença de neutrófilos polimorfonucleares. O Gram do sedimento do LCR pode evidenciar a presença de bacilo gram negativo pleomórfico. É importante a realização da cultura do líquor para diagnóstico do agente. As hemoculturas são usadas como complemento do exame do líquor. Outros exames são a contra-imuno-eletroforese cruzada (CIE), e a prova do Látex sensibilizado (anti-Hib). Ambas podem ser realizadas após o uso de antibióticos, com pouca interferência nos seus resultados. Outros testes são ELISA, Radioimunoensaio, e amplificação da cadeia de polimerase (PCR).

Diagnóstico diferencial - Com as outras meningites bacterianas (em particular com as purulentas)

Tratamento - Cloranfenicol, na dose 75 a 100mg/kg/dia, EV, até o máximo de 6g/dia, fracionadas em 4 tomadas diárias (6/6h), ou ceftriaxone, na dose de 100mg/kg/dia, EV, até o máximo de 4 g/dia, divididas em duas tomadas (de 12/12h), por 7 a 10 dias.

Características epidemiológicas - Doença endêmica, de distribuição universal, com alta incidência em crianças, principalmente nos menores de 1 ano, sendo rara acima dos cinco anos. Após a introdução da vacina conjugada contra o Hib em 1999, a incidência das meningites causadas por este agente diminuiu significativamente.

VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA
Objetivos
- Reduzir a morbidade, letalidade e ocorrência de seqüelas através do diagnóstico e tratamento precoces; Acompanhar o comportamento da meningite por Hib e monitorar a efetividade das medidas de prevenção e controle.

Notificação - É de notificação compulsória e de investigação obrigatória.

Definição de caso
a) Suspeito -
Todo paciente com sinais e sintomas de meningite (febre, cefaléia, vômitos, rigidez de nuca, sonolência, convulsões); Menores de 1 ano, em geral, não apresentam sinais de irritação meníngea, podendo apresentar vômitos, sonolência, irritabilidade, convulsões e abaulamento de fontanela;
b) Confirmado - Caso suspeito que apresente pelo menos cultura positiva para Haemophilus influenzae do líquor ou sangue, ou PCR positivo com detecção da cadeia genética do Haemophilus influenzae, ou detecção de antígeno no líquor ou sangue através de CIE ou látex. A confirmação por critério clínico epidemiológico acontece quando um caso suspeito sem diagnóstico laboratorial teve contato com um caso confirmado laboratorialmente em até 7 dias após o início dos sintomas deste.

Medidas de controle - A quimioprofilaxia está indicada para:
a) Todos os contatos domiciliares (incluindo adultos), desde que existam crianças menores de 4 anos de idade, além do caso índice sem vacinação ou com esquema de vacinação incompleto;
b) Para creches ou escolas onde existam crianças expostas com idade inferior a 24 meses e diante da ocorrência de um segundo caso confirmado. Indica-se, então, para os contatos íntimos, incluindo os adultos;
c) Por ocasião da alta hospitalar, para aqueles pacientes que possuam, entre seus contatos domiciliares, crianças menores de 48 meses de idade. Se o tratamento foi instituído com ceftriaxona, nas doses indicadas, não é necessário realizar a quimioprofilaxia. Crianças com esquema vacinal completo para Hib não necessitam fazer quimioprofilaxia. A droga de escolha é a rifampicina, por via oral: adultos 600mg/dose, a cada 24 horas, durante 4 dias; crianças de 1 mês a 10 anos: 20mg/kg/dia até uma dose máxima de 600mg; crianças menores de 1 mês de idade, a dose será de 10mg/kg/dia, todos administrados uma vez ao dia, durante 4 dias. A vacina contra Haemophilus influenzae tipo b (Hib) apresenta alta eficácia quando aplicada no esquema preconizado: 3(três) doses em menores de 1 ano , aos 2º, 4º e 6º mês de vida. Os eventos adversos locais (dor, eritema e/ou enduração) e gerais (febre, irritabilidade e/ou sonolência) são de freqüência e intensidade baixas, ocorrendo em menos de 10% dos vacinados, nas 24 horas após aplicação. As contra-indicações gerais como doenças graves ou relato de ocorrência de reação anafilática sistêmica após aplicação de dose anterior. A vacina utilizada no Brasil é a Tetravalente, consiste na combinação da vacina Hib com a vacina contra o Tétano, Difteria e Coqueluche (DPT), em um só produto, conferindo imunidade para estes quatro componentes. Outros grupos com situações clínicas especiais procurar os Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais dos estados respectivos (CRIE).

Fonte: Doenças Infecciosas e Parasitárias: Guia de Bolso, Volume II, 3ª edição, pág. 57 - Ministério da Saúde Brasília/DF - junho 2004

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