Matérias da SESA

13/10/2014

Caso suspeito de ebola é descartado

saO primeiro caso suspeito de ebola no Brasil foi descartado nesta segunda-feira (13) em entrevista coletiva do Ministro da Saúde, Arthur Chioro. Logo após a entrevista, Chioro ligou para o secretário estadual da Saúde, Michele Caputo Neto, elogiando a atuação do estado e do município na condução do caso.

“O ministro ressaltou que a parceria entre os três entes federativos foi essencial para que todos os protocolos internacionais fossem seguidos, garantindo a segurança necessária que o caso exigia”, disse Caputo Neto.

Com o descarte, o paciente, que está bem de saúde, receberá alta médica e as 68 pessoas que tiveram contato com ele deixarão de ser monitoradas.

“O ebola é uma doença que assusta e por isso precisamos manter a população bem informada sobre os principais sintomas, as formas de contágio e os protocolos que devem ser adotados quando um viajante chega ao Brasil com estes sintomas. No entanto, isso não significa que todas as pessoas vindas do continente africano são consideradas suspeitas de ebola”, diz o superintendente de vigilância em Saúde, Sezifredo Paz.

O superintendente enfatiza que o ebola não é transmitido pelo ar. O paciente contaminado só transmite a doença quando manifesta sintomas como febre, diarreia, vômito ou sangramentos, e é necessário que haja contato com secreções (suor, sangue, saliva, lágrima, vômito, fezes) para o contágio.

“Aprendemos muito com este caso e aprimoramos o nosso sistema de vigilância. Vamos continuar a capacitação de nossos profissionais da vigilância e assistência para que identifiquem e tratem as suspeitas de acordo com o protocolo internacional”, ressalta o superintendente.

Na área da assistência ao paciente, a secretaria estadual da Saúde reforçou os estoques de equipamentos de proteção individual (EPIs) em todas as regionais de saúde e mantém o cronograma de capacitação dos profissionais de saúde no manejo clínico de pacientes suspeitos.

Foram distribuídos 200 kits de EPIs com macacões de segurança, respiradores/purificadores de ar, óculos de segurança, luvas de segurança cirúrgica, aventais impermeáveis, protetores faciais, sobrebotas e rolos de fita adesiva. Outros 400 kits serão distribuídos nos próximos dias, mantendo todas as regiões do Paraná com equipamentos de segurança para atendimento a casos suspeitos de ebola, se necessário.

Repercussão – Em entrevista aos veículos de comunicação, sociedades médicas nacionais elogiaram a postura governamental na condução do caso suspeito.

O infectologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Marcelo Burattini, disse ao site da revista Veja que o sistema de saúde brasileiro está de parabéns. “A atuação dos profissionais foi correta. O grande receio em relação à doença é o de que o indivíduo chegue ao sistema de atenção básica e não seja reconhecido como alguém que possa ter contraído ebola. Se esses casos forem identificados e as medidas corretas forem adotadas, não haverá casos secundários”, afirmou.

Em entrevista à Agência Brasil, o membro da Sociedade Brasileira de Epidemiologia, Rodrigo Nogueira, destacou como ponto positivo o critério adotado pelo governo brasileiro para a definição de caso suspeito de ebola, que leva em conta a procedência do indivíduo e a presença de febre. “É uma definição que não espera que surjam outros sintomas, como vômito e diarreia e é, portanto, um sistema de vigilância bastante sensível”, disse.
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