Matérias da SESA

13/09/2017

Mostra relata experiências na atenção primária no sul do país

A Escola de Saúde Pública do Paraná (ESPP) recebeu, nestas terça e quarta-feira (12 e 13) a etapa Sul da ‘Mostra de Vivências nos Territórios’, evento que reúne as experiências compartilhadas na plataforma on-line ‘Saúde é o Meu Lugar’, uma parceria da Secretaria de Estado de Saúde com o Ministério da Saúde, Fundação Oswaldo Cruz e Rede Brasileira de Escolas de Saúde Pública para compartilhar histórias dos profissionais que atuam na atenção primária.

“A atenção primária é o primeiro contato do cidadão com a saúde pública e onde mais de 90% das demandas das pessoas podem ser resolvidas. Esse espaço de relato de experiências pode influenciar equipes locais a implantar soluções desenvolvidas em outras regiões, o que impacta diretamente na qualidade dos serviços”, ressaltou o secretário estadual da Saúde, Michele Caputo Neto.

O objetivo do evento é estimular o debate sobre os temas apresentados pelos profissionais na plataforma e compartilhar as experiências das equipes municipais. A diretora geral da ESPP, Ana Fonseca, salienta que estas histórias são verdadeiros exemplos de superação, que não necessariamente estão vinculados à necessidade de recursos financeiros. Segundo ela, muitas vezes o que impacta na saúde do paranaense é uma visão diferente de fazer e agir que os profissionais encontram.

“Conhecer a realidade dos profissionais que atuam na área de saúde da família, da atenção primária, voluntários, controle social é muito importante. Quais as estratégias que eles utilizam para, no dia a dia, solucionar os problemas da população? Quando damos visibilidade a eles e a estas vivências, ajudamos a solucionar os problemas de todos”, enfatizou Ana.

Além de expor as histórias que estão na plataforma, o evento conta também oficinas sobre saúde pública, rodas de conversas e apresentações culturais.

PLATAFORMA – Criado em 2014, o Saúde é o Meu Lugar é uma plataforma de compartilhamento de informação voltada para o profissional de saúde que atua na atenção básica. Nela, o usuário pode contar suas experiências, sejam bem ou mal sucedidas. Através de textos, vídeos, fotos ou áudios, é criado um banco de dados que pode ajudar agentes comunitários, técnicos de enfermagem, médicos e enfermeiros de todo o país.

“Queríamos dar visibilidade aos profissionais que nem sempre tem tanta voz para expor seus erros e seus acertos fora do ambiente técnico. No dia-a-dia, eles se deparam com histórias, casos e soluções que fazem com que haja um sentido real em seu trabalho. Compartilhar isso não apenas eleva o sentido da profissão, como até da relação com a própria comunidade”, destacou o idealizador e coordenador do projeto, Caco Xavier.

Xavier destaca, também, que a adesão das pessoas ao projeto tem aumentado com o passar do tempo. Segundo ele, à medida que a plataforma se torna mais conhecida, um maior número de pessoas entendem seu propósito e se sentem à vontade para compartilhar experiências. “A adesão é exponencial. Hoje em dia as pessoas buscam o projeto para contar suas histórias por vontade própria porque entendem o quão importante é espalhar estas informações”, reiterou o coordenador.

RELATOS – Dois exemplos de profissionais que entenderam a importância de compartilhar suas histórias na plataforma e resolveram expô-las na mostra são o sanitarista e coordenador de Vigilância Ambiental da Regional de Saúde de Maringá, Raimundo Franco e a enfermeira e coordenadora de atenção Básica da Regional de Saúde de Guarapuava, Elisabete de Oliveira.

No site, Raimundo compartilhou exemplos do Programa de Educação Continuada em Saúde, que qualifica os profissionais que atuam em regiões rurais para melhor executarem suas tarefas.

“Nosso foco é capacitar os agentes comunitário de saúde e de controle de endemias. Sentimos que havia uma carência de atenção e preparo para com estes profissionais e criamos o projeto para reverter este quadro”, ressaltou Franco.

O sanitarista diz que compartilhou sua história por acreditar que os profissionais de saúde precisam estar constantemente atualizados e sempre aprendendo com experiências alheias.

Já Elisabete compartilhou a experiência que teve com o combate à leishmaniose. “Nossa região é um dos maiores assentamentos da América Latina e, há algum tempo, tivemos um surto da doença na região. Quando começamos a tratar o surto encontramos um caso curioso. Um paciente estava diagnosticado com câncer, mas ao investigarmos os sintomas descobriu-se que ele tinha leishmaniose de mucosa. Ele recebeu o tratamento correto e hoje está completamente curado”, contou a enfermeira.

Na Mostra, os coordenadores participam de um bate papo para contar seus exemplos com mais detalhes e incentivar que outros profissionais sigam seus passos e compartilhem seus relatos.

SERVIÇO – Qualquer profissional que atua na atenção básica pode enviar suas histórias através do site www.saudeemeulugar.com. O conteúdo pode ser nos formatos de áudio, vídeo, texto ou imagem.

HOMENAGEM – Durante o encontro, o secretário Michele Caputo Neto prestou homenagem ao médico Luiz Cordoni Júnior, sanitarista e ex-secretário estadual da Saúde que morreu no início de agosto, vítima de um câncer. A viúva de Cordoni, Regina Menezes, recebeu uma estatueta oferecida pela Escola de Saúde Pública do Paraná.
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