Matérias da SESA

14/06/2018

Adauto Botelho promove exposição de trabalhos de pacientes

aArte e artesanato feitos pelos pacientes do Hospital Adauto Botelho foram expostas nesta quarta-feira (13) no Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba. A atividade faz parte das comemorações do aniversário de 64 anos de fundação do Adauto Botelho, comemorado no início de junho.

A supervisora técnico-funcional do Adauto Botelho, Sílvia Manzarra, explica que atividades externas, como a exposição de arte, ajudam no processo de construção da autoestima e autonomia dos pacientes, além de contribuírem para desmistificar a própria doença mental.

“É importante que o tema da saúde mental percorra toda a sociedade. Precisamos trabalhar o estigma em torno da doença mental. Não podemos mais entender o sofrimento mental como um fator incapacitante”, ressalta Manzarra.

Embora o sistema de tratamento aos pacientes psiquiátricos tenha se modificado nos últimos anos, o estigma em torno da doença mental persiste, o que pode atrapalhar as ações terapêuticas. A enfermeira Hellen Luciana Damrat explica que até profissionais de saúde, quando não familiarizados com a área de saúde mental, podem ter uma visão distorcida do tema.

“Estamos trazendo esta exposição justamente para divulgar que a loucura está em todo lugar, e não é incapacitante. Trabalhamos com potencialidades, com disposição, com pessoas capazes de fazer estas obras tão lindas como as aqui expostas”, diz Damrat.

DESENHOS – Entre as obras expostas, estavam os desenhos e pinturas feitos pelo técnico em edificações Joel da Silva Velasco, de 46 anos. Em seu último dia de internação no Adauto Botelho, ele participou junto com a equipe do hospital da exposição. Ele contou que aprendeu a desenhar com o pai ainda na infância, mas há mais de 30 anos não exercitava a habilidade.

Após a internação no Adauto Botelho, por incentivo da equipe do hospital, ele voltou a desenhar. “Redescobri o prazer de desenhar. O desenho é o momento em que eu consigo me desligar dos problemas e ficar focado ali, na execução do trabalho”, conta Velasco.

Casado e pai de um filho, ele pretende continuar a desenhar após sair do hospital e investir no aprimoramento da habilidade. “Quero desenvolver a parte da pintura. No hospital só fiz dois quadros em tela, então preciso me exercitar mais”, explica o paciente.

ARTESANATO –
Na mostra também foram expostos algumas das peças de artesanato produzidas nas diversas oficinas de trabalhos manuais. A terapeuta ocupacional Dahiani Corcini Koppe Guimarães ressalta que as oficinas ajudam os pacientes a desenvolverem a autocrítica, paciência e capacidade de avaliação.

Os pacientes fazem trabalhos em madeira, perfumaria e tapeçaria com materiais e técnicas de baixo custo. “Se eles quiserem, poderão, inclusive, fazer trabalhos semelhantes em casa, depois de terem alta do hospital, e até venderem, gerando renda”, explica a terapeuta. Há também oficinas de culinárias, onde os pacientes aprendem e executam o preparo de pratos que depois são avaliados e degustados por todo o grupo.

AMIGOS – Além da equipe de médicos e funcionários que prestam atendimento aos pacientes, o Adauto Botelho também conta com a Associação Amigos do Adauto Botelho, que desenvolve diversas atividades voluntárias com os pacientes. Como explica a presidente da associação, Driely de Andrade Ferreira, são desenvolvidas ações e atividades para o bem-estar dos pacientes.

Ela conta que uma das atividades que mais faz sucesso é a roda de desejos, onde os pacientes podem fazer pedidos que são atendidos pela associação. “Explicamos a eles que os desejos precisam ser realizáveis. São coisas simples, alguns querem um refrigerante, uma comida. Pode parecer pouco, mas coisinhas assim fazem muita diferença e causam grande alegria entre os pacientes”, conta Driely.

HOSPITAL – Inaugurado em 1954, o Adauto Botelho fica em Pinhais e atende pacientes com transtornos mentais e dependência química. O hospital conta hoje com 82 leitos ativos, divididos em duas alas de atendimento a pessoas com transtornos mentais (masculino e feminino) e uma unidade especializada para atender mulheres com dependência química. O Adauto Botelho atende ainda 15 pacientes de longa permanência. Entre abril de 2017 e abril de 2018, 495 pessoas em sofrimento mental passaram pelo hospital.
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