Matérias da SESA

10/10/2018

Saúde alerta sobre prevenção de acidentes com escorpiões

A Secretaria de Estado da Saúde confirmou nesta quinta-feira (04) uma morte por picada de escorpião na região do norte pioneiro. Um morador de Wenceslau Braz foi picado na mão esquerda por um escorpião amarelo, cujo veneno é um dos mais potentes entre as espécies que ocorrem no Paraná. A situação reforça a orientação da saúde para que a população redobre os cuidados para evitar acidentes, principalmente em épocas de chuva e calor.

“O paciente foi atendido no município e transportado para Jacarezinho pelo Samu, onde recebeu o soro antiveneno. Apesar de toda assistência prestada, a evolução do caso não foi satisfatória, o que reforça a necessidade de atitudes preventivas para evitar acidentes fatais”, disse o secretário de Estado da Saúde, Antônio Carlos Nardi.

Nos acidentes com animais peçonhentos, como picadas de escorpiões, aranhas e serpentes, é essencial procurar assistência médica rapidamente. O Governo do Estado mantém em Curitiba o Centro de Controle de Envenenamentos do Paraná (CCE) para orientar a população e profissionais de saúde sobre os encaminhamentos quando necessário. O serviço tem atendimento 24 horas pelo telefone 0800 410 148.

“A agilidade em administrar o soro antiveneno em acidentes com peçonhentos pode fazer a diferença entre a vida e a morte. A orientação fornecida por telefone auxilia na identificação da gravidade do caso e indica o melhor encaminhamento”, explica o chefe da Divisão de Vigilância em Zoonoses e Intoxicações, Francisco Gazola.

Segundo ele, os centros de informações e assistência em toxicologia, como o CCE, prestam atendimento em envenenamentos e fornecem consultoria em urgências toxicológicas, animais peçonhentos e venenosos através de plantão telefônico 24 horas. Esse suporte auxilia os profissionais de saúde no diagnóstico e tratamento além de fornecer informações gerais e de prevenção para a população.

No Paraná, os antivenenos estão disponíveis na rede de saúde através das 22 regionais da Secretaria de Estado da Saúde e, ao todo, existem 212 centros de referência para aplicação dos soros.

PREVENÇÃO – Uma das orientações para evitar acidentes com animais peçonhentos é não acumular entulhos e lixo, o que facilita o esconderijo e a proliferação desses animais. A superintendente de Vigilância em Saúde, Júlia Cordellini, chama a atenção para o risco a que estão sujeitos principalmente crianças e idosos.

“As crianças são mais sensíveis à toxidade do veneno pela baixa massa corpórea e os idosos por sua fragilidade física. No entanto, o risco aos acidentes é comum para todos, o que demanda cuidados e prevenção”, ressaltou.

NÚMEROS – No ano de 2017 foram registrados no Paraná mais de 17 mil acidentes com animais peçonhentos, sendo 2.396 por picada de escorpião com 2 óbitos. Em 2018, entre janeiro e outubro, o Estado contabilizou mais de 11 mil acidentes com peçonhentos, sendo que as picadas de escorpiões somaram 1.879 casos, com a confirmação de dois óbitos.

ESCORPIÕES – No Paraná, existem vários tipos de escorpiões nativos, como o marrom (Tityus bahiensis, Tityus costatus, Ananteris sp) e o pretinho, do gênero Bothriurus, espécies que não apresentam acidentes graves. No entanto, a partir da década de 80 foi introduzido no Estado o escorpião amarelo (Tityus serrulatus), espécie de maior periculosidade, sendo o principal causador dos óbitos.

Segundo Gazola, o escorpião amarelo é uma espécie que se reproduz com rapidez. “É uma espécie generalista com grande capacidade de adaptação a ambientes alterados, como os ambientes domiciliares e seu entorno. A presença de apenas um exemplar pode provocar a infestação, porque a fêmea se reproduz de forma assexuada (partenogênose), sem a necessidade do macho”, explicou.

A espécie prefere se proteger em ambientes quentes e úmidos, saindo para caçar e se alimentar. No ambiente domiciliar o escorpião amarelo se abriga sob madeiras velhas, lenha, telhas, tijolos, restos de construção, entulhos e principalmente frestas em calçadas, muros e paredes.

“O lixo domiciliar mal acondicionado, restos de alimentos e sujeira nas casas atraem insetos, como baratas e outros que são alimentos dos escorpiões. Dessa forma, estes animais têm abrigo, alimento e água no entorno das habitações”, detalha Francisco.

Para evitar acidentes, é importante que as pessoas removam materiais desnecessários, mantenham o lixo acondicionado de forma adequada e fechem as frestas para que os escorpiões não se instalem e se reproduzam nas casas.

Como prevenir acidentes com animais peçonhentos

 Usar calçados e luvas nas atividades rurais e de jardinagem;
 Examinar calçados e roupas pessoais, de cama e banho, antes de usá-las;
 Afastar camas e berços das paredes;
 Não deixar que lençóis ou cobertores sobre a cama e berço encostem no chão. Aranhas e escorpiões podem utilizá-los como apoio para subir e se abrigar entre tecidos e travesseiros;
 Não acumular lixo orgânico, entulhos e materiais de construção;
 Vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos, forros e rodapés;
 Utilizar telas, vedantes ou sacos de areia em portas, janelas e ralos;
 Manter limpos os locais próximos das residências, jardins, quintais, paióis e celeiros;

Em caso de dúvidas, ligue para o telefone 0800 410148 (Centro de Controle de Envenenamentos do Paraná).
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