Conferência de Saúde coloca a defesa do SUS em debate
12/06/2019 - 17:10

Conferencia
O Sistema Único de Saúde (SUS) precisa urgentemente da mobilização da sociedade para avançar e para recuperar as conquistas que obteve ao ser criado, 31 anos atrás. O alerta foi feito pelo médico especialista em reforma sanitária Nelson Rodrigues dos Santos, um dos líderes do movimento que conseguiu a criação do SUS e inseriu a universalização da assistência em saúde na Constituição de 1988.

Também professor universitário de Saúde Coletiva, Santos fez a palestra principal da 12ª Conferência Estadual de Saúde do Paraná, nesta quarta-feira (12) em Curitiba. “A população de hoje precisa conhecer o que foi feito nos anos 80 e pegar o espírito da sociedade daquela época, que estava democratizando o Estado, para corrigir todos os equívocos e distorções que aconteceram nos últimos 30 anos”, afirmou, ao criticar as perdas que o SUS enfrenta desde que foi criado.

SAÚDE PÚBLICA – A 12ª Conferência começou na terça-feira (11) e segue até amanhã (13), com a participação de cerca de 1,2 mil delegados que representam os usuários, profissionais, prestadores de serviços e gestores de Saúde do Paraná.

Os participantes discutem os problemas e as estratégias que devem nortear as políticas públicas, debatidas nas conferências municipais realizadas no começo do ano. Depois de aprovadas, as propostas serão levadas para a Conferência Nacional, que acontece nos dias 4 a 7 de agosto em Brasília.

Com foco em “Democracia e Saúde: Saúde como Direito”, o encontro discute a “Consolidação e Financiamento do SUS”. De acordo com o secretário da Saúde do Paraná, Beto Preto, a Emenda Constitucional 95, que limita os gastos do governo federal para todas as áreas sociais, “é um torniquete na saúde”, e só veio piorar uma situação que já enfrentava sérios problemas de financiamento.

“A Emenda trouxe grandes dificuldades para quem constrói e trabalha pelo SUS”, disse Beto Preto. Em sua opinião, “se não houver mobilização, vamos continuar sofrendo a falta de financiamento”.

No entanto, Beto Preto acredita que, apesar de o SUS ter sofrido “toda sorte de revezes, chegamos aqui e podemos fazer a diferença”. Nesta conferência serão eleitos 152 delegados para irem a Brasília. “Só unidos podemos garantir que o SUS continue crescendo”, defende o secretário.

EMENDA – A uma plateia atenta, o secretário lembrou que a atual administração está trabalhando com um orçamento elaborado no ano passado, portanto na gestão anterior. “Temos um orçamento engessado que não permite alterações”, afirmou, para explicar que a maior preocupação desta administração é que não haja interrupção de obras nem de programas.

“É um compromisso deste governo: fazer avançar todas as obras e garantir a manutenção de todos os programas para posterior discussão”, declarou o secretário da Saúde. “A orientação do governador é para colocar em funcionamento todas as obras paradas”, revelou. “Não podemos inaugurar obras sem equipamento e sem profissionais para tocá-las”.

Ao mesmo tempo, Beto Preto defendeu a criação de instrumentos efetivos para medir tanto as transferências financeiras feitas aos parceiros como também o uso dos recursos pelos consórcios de saúde.

O secretário fez a defesa de um modelo de gestão mais enxuto, mais eficiente e mais transparente, que dê ênfase à regionalização, como proposto pelo governador Ratinho Júnior. A prioridade, explicou Beto Preto, é aproximar o SUS das pessoas. “A Unidade Básica tem que ser a referência das pessoas”, disse.

SUS – O Sistema Único de Saúde foi defendido com veemência pelos participantes da conferência. O prefeito de Nova Tebas, Clodoaldo Fernandes, afirmou que o “SUS é o maior ato de democracia já realizado no Brasil”. O sistema, de fato, mudou o tratamento da Saúde Pública e inverteu o modelo de atendimento – antes, a prioridade era do investimento em alta complexidade.

A partir do SUS, deu-se maior atenção ao atendimento nas unidades básicas, que na prática resolvem 90% das necessidades da saúde, para 90% da população. Inclusive, ao priorizar a prevenção e o diagnóstico precoce, o sistema acaba por fazer grande economia.

Em sua palestra, Nelson Rodrigues dos Santos fez um alerta: “O SUS de hoje conflita com o setor privado e a lógica do mercado está prevalecendo. A partir dos anos 90, o mercado da saúde vem se fragilizando e a sociedade também. O direito aos serviços de saúde especializados está cada vez mais distante da população”.

O caminho, para a presidente Conselho de Secretários Municipais de Saúde (Cosems), Cristiane Pantaleão, também é a valorização da atenção básica de saúde. Para isso, o presidente do Conselho Nacional dos Secretários, Moisés de Souza, conclamou todos os presentes e os delegados que vão a Brasília a repensarem o SUS. “Temos que defendê-lo a todo custo”, disse.