Estados da Região Sul elaboram estratégias conjuntas de prevenção da febre amarela
26/07/2019 - 11:10

FA
A iniciativa para alinhamento das ações  de prevenção e combate à febre amarela partiu da Secretaria da Saúde do Paraná em parceria com Ministério da Saúde, Fundação Oswaldo Cruz, Superintendência de Controle de Endemias de São Paulo e secretarias de Saúde dos estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.

O trabalho em conjunto, que envolve pesquisadores e profissionais das instituições, começou em fevereiro deste ano com o objetivo de prever a rota de circulação do vírus e priorizar ações de combate. Este mapeamento que estabelece os corredores ecológicos de transmissão da Febre Amarela será concluído nesta semana e encaminhado para validação do Ministério da Saúde.

“Trata-se de um planejamento inédito no país em que estamos “saindo na frente da doença” e unindo esforços para enfrentar a febre amarela”, explica a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes.”

Transmissão e Rota - A febre amarela é transmitida pela picada de mosquito contaminado e, além dos humanos, atinge os macacos. Por isso estes animais são considerados sentinelas. As mortes de macacos contaminados, chamadas epizootias, indicam a presença do mosquito transmissor da doença. 

O vírus da febre amarela entrou no Paraná, pelo Vale da Ribeira, na divisa com São Paulo, no início do ano. A primeira confirmação da presença viral foi em 25 de janeiro, quando foi encontrado um macaco morte em Antonina. Na mesma semana se confirmaram os dois primeiros casos de febre amarela em humanos; um no litoral e outro no município de Adrianópolis.

 De lá para cá, percorreu municípios de regiões do estado e  concentrou sua rota passando pelo Litoral, Região Metropolitana da Capital, chegando nos Campos Gerais. A projeção é que este vírus siga agora para o interior, sentido Oeste, podendo chegar inclusive a atravessar as fronteiras com o Paraguai e Argentina. Este é o resultado apresentado pelo grupo técnico reunido na Sesa.  

“O Governo do Paraná se prepara neste momento para grande ação de combate, junto com todas as Regionais de Saúde e, principalmente com os municípios, que realizam a vacinação contra a doença. Reafirmamos que a vacina contra a febre amarela é o único meio eficaz de prevenção. A partir da rota de transmissão antecipada vamos intensificar a vacinação”, informa a diretora da Sesa.

Estudos – O mapeamento realizado no Paraná teve como base o trabalho desenvolvido pela Sucen, em São Paulo, que obteve 93% de assertividade ao traçar a rota do vírus no estado, explica o pesquisador  da Superintendência paulista Adriano Pinter. 

“Nosso trabalho envolveu o registro da velocidade e deslocamento do vírus; fizemos coletas de materiais e percorremos, vales, matas, propriedades rurais e áreas urbanas dos municípios que apresentaram maior número de casos da febre amarela e epizootias”, destacam os integrantes do Grupo Técnico de Vigilância das Arboviroses do Ministério da Saúde.

Aplicativo – A pesquisadora da Fiocruz , Márcia Chame, ressaltou que a população pode e deve ajudar neste trabalho de controle e combate a febre amarela usando o aplicativo desenvolvido pela Fundação.

O app SISS-GEO (Sistema de Informação de Saúde Silvestre), permite o envio de fotos e informações sobre macacos contaminados ou mortos; estas informações chegam direto aos serviços de vigilância para as providências necessárias. “A população pode atuar como “nossos olhos" em todas as regiões, lembrando sempre que este animal não transmite a doença”, complementa Márcia. O aplicativo pode ser baixado gratuitamente.

Dados da Febre Amarela – O período sazonal da febre amarela no Paraná, monitorado  01 de julho de 2018 a 30 de julho de 2019, consolidou 17 casos da doença e 480 notificações. O Paraná registrou um (01) óbito por Febre Amarela neste período. em março, tendo como município de residência e local provável de infecção o município de Morretes.

A Sesa preconiza que as pessoas procurem as unidades de saúde para a imunização. “ E sob orientação do Ministério da Saúde recomendamos a vacinação para toda a população”, diz a diretora da secretaria estadual da saúe do Paraná, Maria Goretti.