Estratégias de combate à dengue seguem em todo Paraná
14/01/2020 - 12:10

dg
A força-tarefa contra a dengue no Paraná começa a apresentar os primeiros resultados positivos. Organizado pelo Comitê Intersetorial de Controle da Dengue, sob orientação direta da Secretaria de Estado da Saúde, o mutirão conseguiu diminuir a incidência de casos em Nova Cantu, Quinta do Sol, ambos na Região Centro-Oeste, e Florestópolis, no Norte, todos em situação de epidemia.

As três cidades receberam intervenções específicas contra a proliferação do mosquito Aedes aegypti no fim do ano passado. Desde então, o número de casos confirmados vem caindo semana a semana. Em Nova Cantu, passou de 4,8 mil por 100 mil habitantes na semana mais crítica para 18 por 100 mil habitantes no levantamento da semana passada. Em Quinta do Sol, de 4,1 mil para 409. E em Florestópolis de 160 para 9.

O boletim epidemiológico semanal sobre a dengue publicado nesta terça-feira (14) pela Secretaria da Saúde do Paraná registra 6.068 casos confirmados da doença no Estado. São 725 novos casos, com aumento de 13,57%.

O número de municípios em situação de epidemia passou de 15 para 22; sete entraram para a relação: Braganey, Douradina, Paraíso do Norte, Paranavaí, Tamboara, Sertaneja e Guaíra.

Também estão em alerta para epidemia outros 22 municípios; quatro são novos na lista: Alto Paraná, Paranapoema, Planaltina do Paraná e Terra Rica.

“O Governo do Estado está em alerta geral para a dengue. Reunimos, na semana passada, o Comitê Intersetorial da Dengue no Paraná que já iniciou a implementação de medidas de combate e controle nos municípios por meio de Regionais de todas as secretarias estaduais; outros órgãos públicos também estão envolvidos e entidades representativas da comunidade, como Conselhos Municipais de Saúde, associações de bairros e igrejas, estão sendo convidadas para entrar nesta luta contra o mosquito transmissor da dengue”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, que ainda chamou atenção para os focos do mosquito.

“Nosso objetivo é levar a informação de que é fundamental, neste momento, uma mudança de atitude em relação à doença: quase 80% dos criadouros estão nos ambientes domiciliares e são removíveis. Precisamos da participação da sociedade para a eliminação destes focos. A dengue mata e todos estamos sujeitos a ela”, complementou.

As informações sobre o controle e prevenção estão sendo divulgadas pela Sesa em todo o Paraná. Hoje, o secretário Beto Preto apresentou um balanço sobre a situação da dengue no Paraná na reunião semanal do secretariado. As ações de combate ao vetor serão intensificadas ainda mais neste período de janeiro, com a participação de toda e estrutura do Governo nas diferentes regiões do Estado.

A Coordenação de Vigilância Ambiental da Sesa realizou, na segunda-feira (13), uma videoconferência sobre o tema no SESC com a participação de 16 regionais da instituição. As orientações sobre as medidas preventivas de combate ao vetor serão repassadas agora para alunos da entidade.

Dengue mata – O médico Enéas Cordeiro de Souza Filho, da Divisão de Doenças Transmitidas por Vetores da Sesa explica que vários fatores podem levar ao agravamento da dengue. Entre eles, a ação do vírus  atingindo o sistema nervoso central, com diminuição da função do coração, infiltrando água nos pulmões, com insuficiência respiratória grave e hemorragias.

“Existe também o mecanismo de ação chamado de imunológico, que pode acontecer entre o quarto, quinto dia de contaminação, onde o próprio corpo tenta fazer a reação de defesa e age de forma exacerbada, provocando perda de líquido em cavidades abdominais e diminuição de pressão arterial, podendo levar a pessoa a choque e óbito, caso não seja feita uma intervenção médica adequada”, explica.

Outros fatores de risco, segundo o médico, são as comorbidades, ou seja, as doenças já instaladas, como hipertensão, diabetes, bronquite crônica,  e doenças cardíacas e vasculares, que podem ser descompensadas pela dengue. “Por isso temos mais idosos que chegam ao óbito em razão da dengue; é que as comorbidades geralmente estão associadas às pessoas com mais de 60 anos. O idoso já tem uma doença de base instalada e a dengue piora estes quadros”.

Enéas Cordeiro ressalta que a dengue precisa de diagnóstico e acompanhamento médico. “Diante dos principais sintomas, que são febre súbita e alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos e nas articulações, a pessoa precisa procurar a rede de assistência. Não deve se automedicar; os antinflamatórios comuns podem agravar o quadro, chegando a hemorragia. A dengue não deve ser banalizada, é uma doença que necessita de cuidados”.