(DVVTR - AGRAVOS EPIDEMIOLÓGICOS) RUBÉOLA


Rubéola - CID10: B06
Doenças Infecciosas e Parasitárias

ASPECTOS CLÍNICOS E EPIDEMIOLÓGICOS
Descrição
- Doença exantemática viral aguda, caracterizada por exantema máculopapular, que se inicia na face, couro cabeludo e pescoço, espalhando-se para o tronco e membros. Apresenta febre baixa e linfadenopatia generalizada, principalmente subocciptal, pós-auricular e cervical posterior, geralmente precedendo o exantema, em 5 a 10 dias. Adolescentes e adultos podem apresentar poliartralgia, poliartrite, conjuntivite, coriza e tosse.

Agente etiológico - Vírus RNA, gênero Rubivírus, família Togaviridae.

Reservatório - O homem.

Modo de transmissão - Direto, através do contato com secreções nasofaríngeas de pessoas infectadas.

Período de incubação - De 14 a 21 dias, com duração média de 17 dias, podendo variar de 12 a 23 dias.

Período de transmissibilidade - De 5 a 7 dias antes do início do exantema e de 5 a 7 dias após.

Diagnóstico - Clínico, laboratorial e epidemiológico. A leucopenia é um achado freqüente. O diagnóstico laboratorial é realizado por meio da sorologia para detecção de anticorpos IgM específicos para rubéola, desde o início até o 28º dia após o exantema. A sua presença indica infecção recente. A detecção de anticorpos IgG ocorre, geralmente, após o desaparecimento do exantema, alcançando pico máximo entre 10 e 20 dias, permanecendo detectáveis por toda a vida. São utilizadas as seguintes técnicas: inibição da hemaglutinação, que apesar do baixo custo e simples execução, seu uso vem sendo substituído por outras técnicas mais sensíveis, como aglutinação do látex, imunofluorescência, hemaglutinação passiva, ensaio imunoenzimático (ELISA). Os laboratórios de referência para o diagnóstico da rubéola, realizam de rotina, somente a pesquisa de anticorpos IgM, pelo método ELISA, no caso de rubéola pós-natal. Coletar uma amostra de sangue no primeiro contato com o caso suspeito. As amostras de sangue coletadas após 28 dias são consideradas tardias, mas mesmo assim, devem ser aproveitadas e encaminhadas ao laboratório de referência estadual para a realização da pesquisa de IgM. É importante ressaltar que resultados não reagentes para IgM não descartam a possibilidade de infecção recente pelo vírus da rubéola.

Interpretação dos resultados do exame sorológico
RUBÉOLA PÓS-NATAL (EXCETO GESTANTE)

Coleta da amostra

Resultado

Classificação do caso

Até 28 dias

IgM +
IgM -

Confirmar o caso
Descartar o caso

Após 28 dias

IgM +
IgM -

Confirmar o caso
Embora não se possa afirmar que não houve infecção recente, descartar o caso

A conduta para gestante é diferenciada

RUBÉOLA EM GESTANTE SINTOMÁTICA

Coleta da amostra

Resultado

Classificação do caso

Do 1º ao 4º dia

IgM +
IgM -
IgG +
IgG -

Confirmar o caso
Realizar pesquisa de IgG
Descartar o caso
Colher 2ª amostra após 7 a 21 dias da 1ª

Do 5º ao 28º dia

IgM +
IgM -

Confirmar o caso - acompanhar
Descartar o caso

Após 28 dias

IgM +
IgM -
IgG +
IgG -

Confirmar o caso
Não se pode afirmar que não houve infecção, realizar IgG
Confirmar o caso
Descartar o caso


GESTANTE ASSINTOMÁTICA CONTATO DE RUBÉOLA

Coleta da amostra

Resultado

Classificação do caso

Até 27 dias

IgM +
IgM -
IgG +
IgG -

2ª amostra
IgM +
IgM -

Acompanhar - RN suspeito de SRC
Realizar pesquisa de IgG
Gestante não suscetível
Colher 2ª amostra entre a 4ª e 6ª semanas (29 a 42 dias) após o contato

Acompanhar - RN suspeito de SRC
Vacinar após o parto

Entre 28 e 42 dias

IgM +
IgM -

Acompanhar - RN suspeito de SRC
Realizar pesquisa de IgG

Após 42 dias

IgM +
IgM -
IgG +
IgG -

Acompanhar - RN suspeito de SRC
Realizar pesquisa de IgG Não se pode afirmar que houve infecção.
Acompanhar RN suspeito de SRC
Vacinar após o parto


Não existem indicações para solicitar e realizar exame de rotina no pré-natal para rubéola em gestantes. Caso seja necessário ser feito o exame e a gestante além de ser assintomática, não tenha história de contato prévio com alguma doença exantemática e não apresente registro da vacina na carteira de vacinação, deverá ser realizada a pesquisa de IgG que sendo negativa orienta vacinação pós-natal e sendo positiva indica imunidade. O material a ser colhido é o sangue venoso sem anticoagulante na quantidade de 5 a 10 ml. Quando se tratar de criança muito pequena e não for possível coletar o volume estabelecido, obter no mínimo 3 ml. Após a separação do soro, conservar o tubo em refrigerador a 4º- 8ºC, por no máximo 48 hs. O tubo deve ser acondicionado em embalagem térmica ou caixa de isopor com gelo ou gelox e enviado ao laboratório num prazo máximo de 2 dias. Caso não possa ser enviado neste período conservar a amostra no freezer a -20ºC até o momento do envio ao laboratório que deverá ser num prazo máximo de 5 dias. Para o isolamento viral a secreção nasofaríngea é o melhor material. Deve ser coletada através de uma sonda nasofaríngea por aspiração à vácuo após instilação nasal de 3 a 5 ml de solução salina. O swab também pode ser usado. Devem ser realizadas tres amostras, uma amostra em cada narina e uma da garganta friccionando para obter células de mucosa, uma vez que o vírus está estreitamente associado as células. Colocar os 3 swab em um tubo contendo meio de transporte fornecido pelo laboratório. Este tubo pode ser conservado em geladeira por 24-48 hs. Não podem ser congelados. Enviar em gelo recicláveis ao LACEN estadual. No LACEN colocar a SNF em freezer -70ºC. Encaminhar a amostra ao LRN - FIOCRUZ em gelo seco.

Critérios para a coleta de espécimes para isolamento viral - Surtos de rubéola independente da distância do laboratório central estadual. Deve obedecer ao critério de 5 a 10 casos suspeitos por área geográfica, em situações de surtos ou epidemias. O período da coleta do material deve ser até o 5º dia do aparecimento do exantema, (preferencialmente nos três primeiros dias do inicio do exantema).

Tratamento - De suporte.

Características epidemiológicas - Distribuição universal, com maior freqüência no final do inverno e início da primavera. Observa-se a ocorrência de epidemias cíclicas, a depender da existência de suscetíveis. Nas populações não imunizadas, a rubéola pós-natal ocorre com freqüência em crianças de 5 a 9 anos,
sendo uma doença benigna e com baixa letalidade, atingindo também adolescentes e adultos.

VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA
Objetivo
- Imunizar a população, visando evitar a ocorrência de novos casos de síndrome da rubéola congênita.

Notificação - Doença de notificação compulsória e de investigação obrigatória.

Definição de caso - Rubéola pós-natal:
a) Suspeito - Toda pessoa com febre, exantema máculopapular e linfoadenopatia que o profissional de saúde suspeite do diagnóstico de rubéola, independentemente da situação vacinal;
b) Confirmado - Por um dos seguintes critérios:
1) Indivíduo com exame laboratorial positivo para IgM;
2) Vínculo epidemiológico a caso confirmado laboratorialmente no período de 12 a 23 dias do aparecimento dos sintomas;
3) Clínico: quando houver suspeita clínica, sem coleta de sangue para sorologia;
4) Falta de acompanhamento: caso suspeito sem realização ou conclusão de investigação epidemiológica e exames laboratoriais;
5) Descartado: quando o exame sorológico for negativo para pesquisa de IgM do 1º ao 4º dia ou após o 28º dia do início do exantema; ou tiver vínculo epidemiológico e clínica compatível com outra doença exantemática.

Medidas de controle - Para diminuir a circulação do vírus da rubéola e, conseqüentemente, a prevenção adequada da SRC, devem ser mantidas altas coberturas vacinais homogêneas com a vacina tríplice viral.
a) Esquema vacinal básico - A vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) está recomendada na rotina, a partir dos 12 meses de idade;
b) Vacinação de bloqueio - Apesar da vacinação de exposto ao risco não prevenir a doença, recomenda-se vacinação seletiva com o objetivo de aproveitar a oportunidade para vacinar os contatos suscetíveis. Contra-indicada a vacinação em gestantes; as mulheres vacinadas devem ser aconselhadas a evitar gestação no 1º mês seguinte à vacinação;
c) Comunicantes - Gestantes expostas devem ser avaliadas sorologicamente, acompanhadas e orientadas, quando necessário (vide capítulo da Síndrome da Rubéola Congênita);
d) Isolamento - Crianças e adultos com rubéola pós-natal devem ser afastados de atividades habituais durante o período de transmissibilidade. Gestantes suscetíveis devem ser afastadas do contato com casos e comunicantes, durante o período de transmissibilidade e incubação da doença. Pessoas hospitalizadas: isolamento de contato.

Fonte: Doenças Infecciosas e Parasitárias: Guia de Bolso, Volume II, 3ª edição, pág. 111 - Ministério da Saúde Brasília/DF - junho 2004

Recomendar esta página via e-mail: