Livre de malária autóctone desde 2019, prevenção no Paraná foca nos cuidados de quem viaja 06/11/2026 - 14:49
Neste Dia da Malária nas Américas, lembrado em 6 de novembro, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) reforça o alerta de prevenção voltado aos viajantes. Como o Estado é considerado área livre de transmissão nativa (autóctone) desde 2019, o esforço contínuo da vigilância é evitar a reintrodução do parasita.
Isso significa que todas as infecções registradas no território paranaense são importadas. Em 2026, até o início de novembro, o Paraná contabilizou apenas 46 casos da doença; todos referentes a pacientes que viajaram para áreas endêmicas, contraíram o parasita e retornaram ao Estado.
O número acompanha uma tendência contínua de queda nas notificações ao longo dos últimos anos: o Estado registrou 70 casos importados em 2023, passando para 65 em 2024 e 58 no ano passado (2025). O cenário estadual de controle se destaca frente ao panorama continental. Neste Dia da Malária nas Américas, lembrado em 6 de novembro, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) alerta que a doença continua sendo um grande desafio de saúde pública. Em 2025, a América Latina registrou aproximadamente 455 mil casos, concentrados predominantemente na bacia amazônica e na costa do Pacífico, na Colômbia, afetando especialmente populações indígenas, áreas de mineração e territórios remotos.
É justamente o trânsito de paranaenses para essas áreas que exige o reforço contínuo da vigilância estadual para evitar a reintrodução do parasita. A Região Metropolitana de Curitiba (RMC) é a área que mais notifica os casos importados, reflexo direto do perfil de sua população, que possui maior fluxo de deslocamento para outras regiões do país e do exterior.
"Manter o Paraná livre da transmissão local da malária há mais de sete anos é um marco que comprova a força e a rapidez da nossa rede de vigilância. No entanto, o fluxo de viagens para áreas endêmicas é constante, o que exige que o nosso trabalho de prevenção seja permanente para garantir que a doença não volte a circular em nosso Estado", destacou o secretário de Estado da Saúde, César Neves.
SINTOMAS E DIAGNÓSTICO RÁPIDO – No Brasil, onde a doença é endêmica em algumas regiões, circulam três espécies do protozoário Plasmodium: o P. vivax (mais frequente), o P. falciparum (que evolui mais rápido para formas severas) e o P. malariae (com evolução mais branda). Todos possuem potencial letal se não tratados corretamente.
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) orienta que toda pessoa que retorne de áreas de transmissão (como a Amazônia ou o Continente Africano) e apresente sintomas como picos de febre, calafrios, sudorese e mal-estar, deve buscar atendimento médico de urgência imediato. É fundamental relatar ao profissional de saúde o histórico de viagem. Ao identificar a suspeita, o médico deve notificar o caso imediatamente à vigilância municipal, que acionará a Regional de Saúde. Os medicamentos específicos são fornecidos exclusivamente pelo SUS.
"O diagnóstico precoce é a nossa principal arma. Quando o paciente que viajou busca ajuda aos primeiros sintomas e relata o histórico de viagem, ele permite que a rede pública inicie o tratamento de forma ágil. Isso não apenas evita que o quadro evolua para formas graves e fatais, mas também bloqueia a cadeia de transmissão na comunidade", explica a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes.
VETOR E RISCO AMBIENTAL – Esse bloqueio é crucial porque o Paraná possui áreas de risco devido à presença natural dos mosquitos transmissores, do gênero Anopheles. Diferente do Aedes aegypti (transmissor da dengue, que é urbano), o Anopheles vive em ambientes de matas, especialmente no Litoral paranaense, na calha do Rio Paranapanema (divisa com São Paulo) e no entorno do Lago de Itaipu e Rio Paraná.
Esses mosquitos não nascem infectados com a malária. Contudo, se uma pessoa infectada circular nessas áreas e for picada, o inseto absorve o parasita e passa a transmiti-lo, reiniciando o ciclo no Estado. "Nós temos o mosquito vetor vivendo naturalmente no ambiente silvestre do Paraná. Ele não está contaminado, mas se esse mosquito picar uma pessoa que trouxe o parasita de outra região, ele se infecta e se torna um transmissor ativo. É por isso que tratar imediatamente o caso importado é a nossa barreira de proteção ambiental mais forte para impedir a reintrodução da doença", detalha a coordenadora de Vigilância Ambiental da Sesa, Ivana Belmonte.
O último surto expressivo de malária no Paraná ocorreu há 15 anos, em 2011, afetando Foz do Iguaçu e São Miguel do Iguaçu. Desde então, foram registrados apenas casos esporádicos conhecidos como "malária de Mata Atlântica".
PREVENÇÃO PARA VIAJANTES – Como as vacinas contra a doença ainda estão em fase de estudos para uso em larga escala, a prevenção exige planejamento. A recomendação da Sesa para quem vai viajar para regiões endêmicas é procurar previamente um médico especialista em medicina do viajante.
Além de repassar orientações de barreira mecânica (uso correto de repelentes e roupas adequadas para evitar picadas), o profissional analisará a necessidade de prescrição de quimioprofilaxia, uma medicação preventiva que, embora não impeça a infecção, atua retardando e evitando a evolução da doença para as suas formas mais graves.
ALINHAMENTO TÉCNICO – A prevenção e o bloqueio da malária também estiveram na pauta da reunião técnica organizada pela Coordenadoria de Vigilância Ambiental da Sesa, realizada nos dias 4 e 5 de novembro em Curitiba. O evento reuniu as equipes de atenção e vigilância em saúde de todas as Regionais de Saúde, com a presença de representantes técnicos e profissionais das áreas de controle vetorial, epidemiologia, atenção primária e urgência e emergência.
Além do alinhamento técnico sobre outras doenças endêmicas, como dengue, doença de Chagas e febre maculosa, o encontro detalhou os fluxos de notificação e atendimento da malária aos profissionais das regionais.










