Saúde alerta para riscos do uso excessivo de telas na infância e orienta famílias sobre limites 04/11/2026 - 15:34
O uso excessivo de celulares, tablets, computadores e televisores pode trazer consequências para a saúde física e mental de crianças e adolescentes. A Secretaria da Saúde do Paraná (Sesa) alerta pais e responsáveis sobre os riscos da exposição prolongada às telas e reforça a importância de estabelecer limites para o uso desses dispositivos desde os primeiros anos de vida.
Embora a tecnologia faça parte do cotidiano, o tempo excessivo diante das telas pode comprometer atividades fundamentais para o desenvolvimento infantil, como brincar, praticar exercícios físicos, conversar e conviver com outras pessoas.
Entre os principais impactos está a qualidade do sono. O uso de dispositivos eletrônicos, especialmente antes de dormir, pode interferir na produção de melatonina, hormônio responsável pela regulação do sono. Como consequência, crianças e adolescentes podem apresentar irritabilidade, sonolência durante o dia, dificuldades de concentração e prejuízos à memória.
A exposição prolongada também pode provocar cansaço visual, ressecamento dos olhos, dores de cabeça e visão embaçada. Além disso, o excesso de atividades realizadas de perto, associado ao pouco tempo ao ar livre, está relacionado ao maior risco de desenvolvimento e progressão da miopia.
Na aprendizagem, o uso excessivo pode prejudicar o desenvolvimento da linguagem, da criatividade, da atenção e das habilidades sociais, especialmente quando substitui brincadeiras, leitura e interações presenciais.
“A saúde das nossas crianças e adolescentes exige atenção também ao ambiente digital. Nosso compromisso é orientar e conscientizar a população, reforçando que a prevenção começa desde cedo, com a participação ativa dos pais e responsáveis. O equilíbrio no uso das telas é fundamental para garantir um crescimento mais saudável”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, César Neves.
SAÚDE MENTAL - Os efeitos também podem alcançar a saúde emocional. O uso problemático de tecnologias está associado a sintomas de ansiedade e depressão, dificuldades de atenção e concentração, alterações de humor, sentimentos de solidão e problemas de sono.
Segundo Thiago Henrique Roza, médico especialista em saúde mental do Hospital Adauto Botelho (HAB), situado em Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, essa relação pode ocorrer nos dois sentidos. “Crianças e adolescentes que enfrentam dificuldades emocionais podem recorrer às tecnologias como forma de lidar com esses sentimentos, enquanto o uso problemático dos dispositivos também pode contribuir para o agravamento dos sintomas”.
Ele chama a atenção para os sinais que podem indicar uma relação prejudicial com a tecnologia. Entre eles estão o abandono de atividades presenciais, o afastamento dos amigos, o sedentarismo, a troca do dia pela noite e as manifestações de sofrimento emocional.
“A frequência de uso, os conteúdos acessados e os prejuízos provocados na vida cotidiana precisam ser observados pelas famílias. Outro aspecto é o uso de jogos eletrônicos e redes sociais, que pode estar associado a dificuldades de controle do comportamento e a outros problemas de saúde mental”, complementou o especialista.
TEMPO DE EXPOSIÇÃO - De acordo com a médica pediatra Thaisa Vieira Sonnberger, do Hospital Infantil Waldemar Monastier (HIWM), as recomendações variam um pouco entre as instituições, mas existe um consenso importante: quanto menor a criança, maior deve ser o cuidado com a exposição às telas, porque os primeiros anos são fundamentais para o desenvolvimento cerebral, da linguagem e dos vínculos afetivos.
“Não existe um único limite diário que seja ideal para todas as idades e situações. O importante é diferenciar o uso recreativo do uso para estudar e manter contato com outras pessoas, além de observar o impacto na vida cotidiana", explica.
Confira as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria:
- Menores de 2 anos: tempo de tela zero, com exceção de videochamadas com familiares, quando acompanhadas por um adulto.
- De 2 a 5 anos: limitar a até 1 hora por dia, preferencialmente com conteúdo de qualidade e participação dos pais.
- De 6 a 10 anos: no máximo uma a duas horas por dia, com acompanhamento dos responsáveis.
- Adolescentes: limitar o uso recreativo a duas ou três horas diárias, evitando permanecer conectados durante a madrugada.
A Secretaria da Saúde do Paraná ressalta que o objetivo não é eliminar a tecnologia da rotina, mas incentivar seu uso equilibrado e consciente, considerando a idade, o conteúdo acessado e o tempo de exposição, de modo a preservar o desenvolvimento pleno, saudável e integral de crianças e adolescentes.



