Com investimento recorde de R$ 70,5 milhões, Paraná consolida modelo de cuidado em Saúde Mental 02/07/2026 - 15:28
O Paraná alcançou a marca histórica de 2,1 milhões de atendimentos individuais em saúde mental em 2025, consolidando um crescimento de 19% na capacidade de assistência da rede pública. Esse avanço reflete a política contínua de descentralização da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), que agora ganha o reforço de mais R$ 26 milhões ao ano para o custeio e ampliação de leitos especializados em hospitais gerais, elevando o investimento anual do Estado no setor para R$ 70,5 milhões.
A medida fortalece o acolhimento regionalizado e garante que o paranaense com necessidades de cuidado em saúde mental tenha suporte especializado perto de casa, evitando deslocamentos desnecessários para os grandes centros urbanos. Esse recurso extra serviu para melhorar o atendimento na ponta e garantir uma estrutura histórica nos municípios, abrindo caminho para as ações que transformaram a saúde mental no Estado.
"Iniciamos essa jornada com o claro compromisso de regionalizar a saúde e aproximar a medicina especializada de quem mais precisa. O impacto da pandemia na saúde mental da população exigiu uma resposta célere, contínua e robusta do Estado. O avanço que conquistamos na consolidação dessa rede não representa uma ação isolada, mas sim a entrega de um sistema humanizado, digno e estruturado de forma definitiva dentro do SUS paranaense", destacou o secretário de Estado da Saúde, César Neves.
Esse avanço é resultado das metas do Plano Estadual de Saúde, que acelerou a expansão da estrutura e o atendimento em todas as regiões. Ao todo, o Paraná abriu 56 novos pontos de cuidado, incluindo Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), ambulatórios e os Serviços Integrados de Saúde Mental (SIMPR), modelo que une o acolhimento regional e o tratamento de dependência química. Para reforçar o atendimento na ponta, o Estado criou 41 Equipes Multiprofissionais Especializadas e abriu 56 novos leitos em hospitais gerais, garantindo que a linha de cuidado chegasse às 22 Regionais de Saúde.
Hoje, essa estrutura de acolhimento conta com 163 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) espalhados por todo o Paraná, além de 14 residências terapêuticas, cinco unidades de acolhimento, oito equipes do programa Consultório na Rua e 41 equipes multiprofissionais. Para os momentos de maior urgência ou crises graves, a rede oferece 57 leitos especializados dentro de hospitais gerais e mais de 1.600 vagas em hospitais psiquiátricos parceiros, funcionando de forma totalmente integrada.
INOVAÇÃO E CAPACITAÇÃO - O modelo paranaense teve destaque ao qualificar diretamente a porta de entrada dos serviços de saúde. Para subsidiar o trabalho das equipes municipais, a Sesa atualizou o Instrumento de Estratificação de Risco em Saúde Mental e desenvolveu o Instrutivo para identificação de sinais e sintomas de saúde mental por Agentes Comunitários de Saúde. Essa ferramenta treinou o olhar dos agentes que visitam as residências diariamente, permitindo que o sofrimento mental seja detectado na comunidade de forma precoce, o que vincula o cidadão ao tratamento antes do agravamento do quadro clínico.
O preparo dos profissionais que atuam na ponta foi outro pilar importante, realizado em parceria com a Escola de Saúde Pública do Paraná (ESPP). O Estado lançou um curso de aperfeiçoamento a distância que capacitou mais de 1.500 profissionais das unidades de saúde, além de um treinamento em psicofarmacologia que teve a adesão de mais de 2 mil médicos da rede pública. A qualificação incluiu ainda um curso permanente focado na prevenção do suicídio, preparando assistentes sociais, psicólogos e enfermeiros para identificar e acolher pessoas em situação de extrema vulnerabilidade.
PLANIFICASUS – Essa integração ganhou força definitiva quando a saúde mental entrou nas diretrizes do PlanificaSUS Paraná. O programa começou a ser aplicado de forma gradual pelas Regionais de Saúde e hoje conta com a participação de 1.529 Unidades Básicas de Saúde, 111 CAPS, 36 Ambulatórios e 18 Equipes Multiprofissionais trabalhando integradas e compartilhando os mesmos históricos clínicos.
Para garantir um modelo seguro, o Paraná adotou as diretrizes do Manual de Intervenções mhGAP da Organização Mundial da Saúde. Com esse guia prático, médicos e enfermeiros das unidades de saúde receberam treinamento para realizar os primeiros atendimentos de transtornos como depressão e ansiedade severa. Ao resolver as demandas mais leves e moderadas perto de casa, o Estado garantiu que os CAPS e os leitos hospitalares fossem desafogados para acolher os casos de alta complexidade e crises graves.
"A consolidação do PlanificaSUS e o foco na educação permanente das equipes nos permitem estruturar um cuidado verdadeiramente integral", aponta a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes. "Ao expandirmos os serviços especializados e qualificarmos o atendimento na Atenção Primária, nós ampliamos o acesso da população e asseguramos que o tratamento em saúde mental aconteça com forte vínculo comunitário, respeitando sempre a diretriz do cuidado em liberdade."
INCENTIVOS PRÓPRIOS - O avanço conquistado foi sustentado por uma política pioneira de cofinanciamento estadual, superando o antigo modelo que dependia exclusivamente de repasses federais. A Sesa estabeleceu incentivos financeiros fixos para a implantação e o custeio mensal dos SIMPR, repasses para a manutenção das equipes multiprofissionais e uma complementação pioneira de 40% no valor das diárias dos leitos psiquiátricos especializados. Por meio da Resolução SESA nº 063/2022, foi instituído o cofinanciamento para os Serviços Residenciais Terapêuticos e o custeio mensal de todas as modalidades de CAPS, somando um investimento direto do Tesouro Estadual de R$ 15 milhões por ano.






