Secretaria da Saúde alerta sobre uso indiscriminado e descarte das canetas emagrecedoras 03/03/2026 - 12:36

O uso das chamadas canetas emagrecedoras transformou o tratamento da obesidade. Mas o rápido crescimento dessa tendência traz um importante alerta de que o medicamento não é uma solução mágica e o uso do produto requer rigor e acompanhamento médico. Originalmente desenvolvidos para o controle da diabetes tipo 2, esses fármacos atuam retardando o esvaziamento gástrico e enviando sinais de saciedade ao cérebro. Mas a banalização do uso estético gera preocupação e pode acarretar em graves problemas de saúde.

“Esses medicamentos são eficazes, se utilizados sob supervisão, com indicação médica e para a finalidade específica de que foi desenvolvida. Usar sem critérios, pode gerar complicações. Por isso, é muito importante tomar o devido cuidado”, diz o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto.

Apesar de popularizadas como canetas emagrecedoras, elas não foram criadas para a finalidade específica de emagrecimento, e sim para tratamento de pacientes diabéticos, ou seja, que apresentam níveis de glicose no sangue acima do normal, o emagrecimento gerado pelo uso das canetas é na verdade um ‘efeito colateral’. Elas não são distribuídas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“Não se trata de uma droga anorexígena [inibidora de apetite. A ação no organismo é a sensação de saciedade. A pessoa come uma torrada no café da manhã e no almoço ainda não sente fome, então, esse emagrecimento acaba sendo um efeito secundário”, explicou o diretor-geral da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), César Neves.

O uso desse medicamento, sem acompanhamento médico, por pessoas que não sejam obesas ou diabéticas, pode gerar problemas de saúde, como, por exemplo, picos de hipoglicemia, que é caracterizado pela queda rápida e acentuada dos níveis de açúcar no sangue, resultando em tremores, tontura, sudorese, fome e confusão mental, e ainda, em casos mais graves chegar a uma pancreatite, que é a inflamação do pâncreas, um órgão essencial para a digestão e produção de hormônios.

TRATAMENTO GRATUITO – No Paraná, é possível receber atendimento e tratamento gratuitos para a obesidade na saúde pública. “A orientação é para que a pessoa procure atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS), que é a porta de entrada para o atendimento, que tem foco em intervenções de longo prazo e modificação sustentável do estilo de vida, para manutenção da saúde e não apenas perda de peso. O tratamento é conduzido por diversos profissionais, podendo incluir médicos, enfermeiros, nutricionistas, profissionais de educação física, psicólogos, assistentes sociais, entre outros. Casos mais graves recebem acompanhamento conjunto entre a Atenção Primária à Saúde e a Atenção Ambulatorial Especializada. Quando necessário, o paciente é encaminhado para hospitais habilitados para tratamento cirúrgico, seguindo critérios técnicos”, disse Neves.

DESCARTE – Para além do alerta em relação ao uso indiscriminado e sem acompanhamento médico, a popularização dos medicamentos injetáveis para perda de peso traz à tona também outro desafio, o descarte correto das canetas e agulhas. Diferente de uma cartela de comprimidos comum, as canetas emagrecedoras são formadas por componentes eletrônicos, plásticos e, o mais crítico, resíduo biológico perfurocortante. Jogar esse material no lixo comum ou no reciclável é um erro grave.

As agulhas utilizadas nas canetas podem transmitir doenças se perfurarem um trabalhador da limpeza urbana ou coletor de recicláveis. Além disso, o medicamento restante no dispositivo pode contaminar o solo e a água.

Para o descarte correto de medicamentos injetáveis, seja a caneta emagrecedora, seringas e agulhas, é necessário utilizar recipientes plásticos rígidos, com tampa rosqueada, como embalagem de amaciante. Quando o recipiente atingir 2/3 da capacidade, ele deve ser fechado e identificado com a frase “resíduo perfurocortante”, e ser levado até uma UBS, que funciona como ponto de entrega voluntária.

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