Sesa capacita profissionais para atuar contra o tabagismo
27/05/2019 - 17:30

TABAGISMO
A Secretaria da Saúde do Paraná realiza nesta segunda e terça-feira (27 e 28), em Curitiba, capacitação para profissionais de atuam no Programa Estadual de Controle do Tabagismo e que serão multiplicadores das informações em seus municípios.

Na próxima sexta-feira, dia 31, a Sesa promoverá, em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba, evento na Boca Maldita, em Curitiba, para alertar e orientar a população sobre os problemas causados pelo uso e exposição ao tabaco. As ações, envolvendo várias áreas da saúde, marcarão o Dia Mundial sem Tabaco.

De acordo com a diretora de Atenção à Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes, o Programa do Tabagismo está disponível em 763 estabelecimentos de saúde nas 22 Regionais de Saúde do Estado. Para ter acesso ao tratamento gratuito basta procurar a unidade de saúde mais próxima.

“Mais de 2 mil pessoas recebem anualmente o tratamento por meio do programa e cerca de 65% atingem o objetivo; o atendimento é feito por diferentes profissionais e inclui avaliações clínica e psicológica, participação no grupo de apoio e medicamentos. Neste momento estudamos o Planejamento Regional Integrado e entre as metas está a ampliação da rede de atendimento do Programa do Tabagismo”, afirmou a diretora.

DADOS – Na abertura da capacitação, no auditório da Sesa, o médico Jonatas Reichert, da Comissão de Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia, lembrou que 56 doenças estão relacionadas ao vício do tabaco. “O tabagismo é considerado uma pandemia - enfermidade amplamente disseminada - e o Brasil registrou cerca de 132 mil óbitos em um ano apenas, de acordo com o último levantamento”, informou.

Entre as doenças provocadas pelo tabaco, o médico ressaltou o câncer de pulmão. Segundo ele, 90% dos casos da doença acontecem em fumantes ativos, mas os fumantes passivos, aqueles que convivem no mesmo ambiente, também são atingidos.

Além do câncer, o tabaco é conhecido há mais de 100 anos como fator de risco para a tuberculose e para inúmeras doenças crônicas respiratórias. “A fumaça do tabaco apresenta 60 compostos considerados carcinogênicos”, explicou o médico. A prevalência do tabagismo no país está em 11,5 % da população e Curitiba é a capital com maior registro, de 15,6%.

PROGRAMA – “Apesar da prevalência, o Paraná se destaca na implantação de leis de combate e a Secretaria Estadual da Saúde mantém um programa de controle de tabagismo considerado modelo”, disse a enfermeira Aureni Desplanches, da Divisão da Saúde da Família e Promoção em Saúde da Sesa.  

O programa segue critérios do Instituto Nacional do Câncer (INCA) e é desenvolvido por equipes multiprofissionais de saúde. “Capacitamos 1.206 profissionais para atuação no programa. O eixo principal da abordagem é comportamental, mas a escolha por hábitos saudáveis de vida deve partir do usuário do tabaco”, explicou a enfermeira.

Além disso, pode haver o indicativo de medicamentos, que estão disponíveis na rede, desde que sejam prescritos por médicos atuantes no programa.

ALERTAS – Nas palestras de capacitação, o odontologista e professor da Universidade Federal do Paraná, Cassius Torres, lembrou da grande incidência de casos de câncer bucal provocados pela inalação da fumaça: “75% dos casos atendidos são pacientes que fazem uso do tabaco; inicialmente surgem processos inflamatórios, que se tornam repetitivos e que podem evoluir para o câncer”, disse o professor.

O engenheiro agrônomo Marcos Andersen, da Vigilância em Saúde da Sesa, também alertou para os problemas que afetam os trabalhadores rurais que atuam na colheita do fumo. “Eles ficam expostos à intoxicação causada pela absorção da nicotina pele em contato com a folha do tabaco e, a longo prazo, podem evoluir para câncer, doenças cardiovasculares e depressão, entre outras doenças. No Paraná, 10 municípios produzem fumo abrangendo o trabalho de mais de 17 mil agricultores”.

INCA – A representante do Ministério da Saúde e do INCA, Vera Lúcia Borges, destacou mais uma preocupação: “Relacionada à cigarros ilícitos e outros produtos que contém nicotina, como o narguile”. Segundo ela, uma hora de consumo de narguile equivale a tragar cem cigarros. “Seguimos atentos, levando as informações e orientações e agregando cada vez mais profissionais ao programa antitabagismo”.

“Nosso propósito é prevenir sobre os riscos da iniciação pelos jovens e evitar que fumantes troquem a chance de parar pela de se manterem dependentes do tabaco”, complementou a enfermeira Aureni Desplanches, do Programa Nacional de Controle do Tabagismo. 

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