Vigilância Ambiental da Sesa muda parâmetros no combate a dengue e outras doenças com tecnologia e estratégia 02/07/2026 - 16:23
Ao integrar ciência, tecnologia, georreferenciamento e participação da comunidade, além da parceria com os municípios, o Governo do Paraná consolidou um modelo dentro da Vigilância Ambiental, vinculada à Diretoria de Atenção e Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), que mudou os parâmetros no combate e no controle epidemiológico de doenças no Estado
Da chegada da tecnologia dos “Wolbitos” no combate à dengue, aos sistemas de georreferenciamento para febre amarela ou as ações de campo com agentes munidos de informações, a Sesa passou a ser capaz de antecipar riscos, direcionar recursos com maior precisão, além de reforçar a prevenção como principal estratégia de proteção da saúde pública.
"Estamos investindo cada vez mais em uma vigilância ambiental moderna, baseada em inteligência, inovação e evidências científicas, para antecipar riscos e proteger a população. Ao integrar tecnologia, monitoramento em tempo real e atuação conjunta com os municípios, conseguimos direcionar as ações de forma mais eficiente, utilizar melhor os recursos públicos e agir antes que as doenças se espalhem", afirmou o secretário de Estado da Saúde, César Neves.
A estratégia do Governo do Paraná para enfrentar a dengue passou por uma transformação nos últimos anos. Sem abandonar as ações tradicionais de vigilância e controle do mosquito, a Sesa ampliou os investimentos em tecnologia, inteligência epidemiológica e novas metodologias de combate ao Aedes aegypti.
Entre os principais avanços está a implantação da maior biofábrica de mosquitos com a bactéria Wolbachia do mundo, instalada no Parque Tecnológico da Saúde do Governo do Paraná, em Curitiba, a unidade representa um dos mais modernos investimentos do país em controle biológico do vetor.
A biofábrica permite ampliar em larga escala a utilização dos chamados "Wolbitos", mosquitos Aedes aegypti que carregam naturalmente a bactéria Wolbachia. A presença dessa bactéria reduz significativamente a capacidade do mosquito de transmitir vírus como dengue, zika e chikungunya.
A inteligência aplicada ao combate ao vetor também ganhou reforço com a ampliação das Ovitrampas, consideradas uma das ferramentas mais eficientes para o monitoramento da infestação do Aedes aegypti. Atualmente, 380 municípios paranaenses utilizam o sistema.
De baixo custo e alta eficiência, as ovitrampas funcionam como armadilhas inteligentes. Elas consistem em recipientes plásticos pretos com água e uma palheta de madeira que simula o ambiente ideal para que o mosquito coloque seus ovos.
Outra tecnologia incorporada à estratégia estadual é a Borrifação Residual Intradomiciliar (BRI). O método consiste na aplicação de inseticidas de efeito prolongado nas paredes internas de imóveis considerados estratégicos, como escolas, hospitais, igrejas e outras edificações com grande circulação de pessoas. Atualmente 235 municípios do Paraná passaram pela BRI.
Uma das ferramentas utilizadas na Vigilância Ambiental é o GeoConass Arboviroses, desenvolvido em parceria com o Centro de Inteligência Estratégica para a Gestão Estadual do SUS (Cieges) do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). Em uso desde 2023, o sistema permite a avaliação em tempo real dos dados epidemiológicos e possibilitam a avaliação da distribuição dos casos no território, apoiam o direcionamento das atividades de controle vetorial e mobilização nos municípios.
FROTA - O investimento também alcançou a infraestrutura operacional. O Governo do Estado reforçou a frota utilizada pelas equipes de vigilância ambiental, com a compra de 30 caminhonetes para fumacê, além de 42 caminhonetes para captura e transporte de animais peçonhentos ampliando a capacidade de deslocamento para inspeções, monitoramento de áreas críticas, investigações de focos e apoio às ações desenvolvidas em parceria com os municípios em situações de surtos ou epidemias.
FEBRE AMARELA - A vigilância da febre amarela no Paraná passou por uma transformação tecnológica nos últimos anos. A Sesa foi pioneira em 2019 ao estruturar um modelo de monitoramento baseado em georreferenciamento e transmissão de informações em tempo real.
A principal ferramenta dessa estratégia é o Sistema de Informação em Saúde Silvestre Georreferenciado (SISS-Geo), desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e utilizado em todos municípios paranaenses. O sistema acompanha a ocorrência de mortes ou adoecimento de primatas não humanos, que funcionam como sentinelas naturais da febre amarela.
Os resultados demonstram a eficiência desse modelo de monitoramento permanente. Entre julho de 2024 e junho de 2025, o sistema registrou 101 notificações de epizootias em 26 municípios do Paraná.
O protagonismo do Paraná nessa área também estimulou iniciativas reconhecidas internacionalmente. Um projeto desenvolvido em São José dos Pinhais, em parceria com a Sesa, a Fiocruz e o Ministério da Saúde, utilizou a plataforma SISS-Geo para fortalecer o monitoramento da febre amarela e recebeu, em 2021, o 5º Prêmio Internacional Guangzhou, concedido a práticas inovadoras de sustentabilidade urbana.
PROVIGIA - Em 2021, a Sesa desenvolveu uma ferramenta que passou a agilizar processos e levar recursos para os municípios que investem nas ações de reforço da estrutura da vigilância em saúde. Por meio do Programa de Qualificação da Vigilância em Saúde (PROVIGIA PARANÁ) já foram garantidos mais de R$160 milhões aos municípios paranaenses para serem aplicados em diversas áreas estratégicas como qualificação de equipes, aquisição de veículos e melhorias nas ações.
O programa fortalece a execução das atividades de vigilância em saúde nos municípios. São comprados lupas, microscópios, materiais de campo para os agentes de combate a endemias, equipamentos para aplicação de inseticidas, equipamentos de proteção individual, dentre outros.
“O PROVIGIA permite que os municípios tenham recursos para atuar de forma mais eficaz na prevenção de doenças e na proteção da saúde da população. Esses investimentos impactam diretamente na qualidade de vida dos paranaenses, garantindo equipes mais qualificadas, melhor infraestrutura e ações estratégicas que fortalecem a saúde pública”, afirmou César Neves.
ESPOROTRICOSE - A atuação da Vigilância Ambiental também avançou no enfrentamento da esporotricose, doença fúngica que pode ser transmitida de animais para humanos. O Estado foi pioneiro na distribuição gratuita de itraconazol para o tratamento de gatos diagnosticados com esporotricose. O programa garantiu, somente em 2025, a distribuição de 310.250 cápsulas destinadas exclusivamente ao tratamento dos animais, medida que reduz a transmissão da doença e protege também a população.
CIATox - Outra frente fortalecida pela Vigilância Ambiental foi a prevenção e o atendimento às intoxicações exógenas e aos acidentes causados por animais peçonhentos. Em 2025, a Secretaria de Estado da Saúde instituiu a Rede CIATox Paraná, integrando os quatro Centros de Informação e Assistência Toxicológica do Estado (Curitiba, Cascavel, Maringá e Londrina) às equipes de vigilância em saúde.
A integração passou a permitir uma atuação coordenada na resposta a intoxicações químicas e acidentes com animais peçonhentos, fortalecendo a capacidade técnica do Estado para enfrentar situações de emergência, como ocorreu durante os episódios de intoxicação por metanol.
“Nosso maior avanço foi transformar a vigilância em uma ferramenta de inteligência para a tomada de decisões. Utilizamos informações em tempo real, novas tecnologias e análises de risco para direcionar as ações exatamente onde elas são mais necessárias. Isso permite otimizar recursos, fortalecer os municípios e reduzir o impacto das doenças antes que elas se tornem grandes epidemias”, apontou a coordenadora da Vigilância Ambiental da Sesa, Ivana Lúcia Belmonte.
















