Combate ao “pé diabético” em Uniflor cria modelo eficiente e detecta casos críticos 16/04/2026 - 12:19
A diabetes é um desafio para os serviços de saúde em razão de suas complicações, que podem levar até à morte. Mas a Unidade Básica de Saúde (UBS) Pedro Estércio, na pequena cidade de Uniflor, na região Noroeste do Paraná, encontrou uma forma simples e bastante efetiva de poder atender todas as pessoas que sofrem da doença, além de identificar e montar planos de atendimento para os casos graves.
A estratégia encontrada é simples: olhar os pés das pessoas. É nele que está uma complicação crônica da diabetes mellitus e que pode causar problemas graves, como gerar lesões e levar até mesmo a amputações. O chamado "pé diabético" pode se transformar em um fator decisivo para a saúde de uma pessoa.
“Temos uma equipe de saúde muito interessada no que faz e pronta para atender as necessidades que aparecem no dia a dia ou planejar o atendimento de sua região. E a criatividade para encontrar as melhores formas de resolver problemas também é uma característica delas e que traz muito resultado”, apontou o Secretário de Estado da Saúde, César Neves.
A equipe formada enfermeiro, médico, técnico de enfermagem, além de um agente comunitário de saúde, faz a busca ativa de pessoas com diabetes na cidade. Na visita é feito um checklist com perguntas sobre a pessoa e uma avaliação médica dos pés. “Depois elaboramos um plano de cuidado com orientações sobre os pés, higiene, uso de calçados adequados, além de incentivo à mudança de hábitos e adesão ao tratamento”, contou a enfermeira Isabela Oliveira.
O projeto começou no fim do ano passado e conseguiu atingir cerca de 65% dos diabéticos cadastrados. Do total, quatro casos estavam em situação crítica e foram encaminhados para os serviços específicos. A equipe deve alcançar os 100% dos doentes neste mês de abril.
PLANIFICASUS - A implantação da avaliação do pé diabético aconteceu pela necessidade de atender e ampliar o acompanhamento clínico dos doentes. A ideia surgiu com a utilização da metodologia do PlanificaSUS para desenvolvimento da Atenção Primária da Saúde, que favoreceu a padronização das práticas assistenciais e fortalecimento da busca ativa e trabalho integrado das equipes multiprofissionais.
Os dados também passaram a permitir uma análise crítica dos indicadores, que identifica fragilidades no cuidado às pessoas com diabetes e ainda a planejar intervenções mais qualificadas em cada região. Além disso, as equipes puderam unir outros atendimentos, como de dentista. Outro impacto foi o de melhorar a relação com as pessoas atendidas, além de conhecer a realidade, condições de vida, rotina e limitações que existem em casa ou em seu ambiente.
Outro efeito positivo do projeto foi de reaproximar pessoas que possuem diabetes, mas que estavam afastadas dos serviços de saúde e sem acompanhamento regular. “Conseguimos resgatar esse vínculo e orientar sobre a importância do tratamento, além de encaminhar novamente para a unidade de saúde”, lembrou a enfermeira.
As visitas ainda dão a oportunidade de que sejam feitos pedidos de exames de rotina e a renovação de receitas sem a necessidade de ir até uma UBS. Grande parte dos atendimentos é realizada com pessoas da zona rural. “A visita domiciliar no Projeto Pé-Diabético se torna ainda mais importante, pois leva o cuidado até essas pessoas, reduz barreiras de acesso e garante que as pessoas com Diabetes Mellitus recebam orientação, avaliação e acompanhamento adequados”, finalizou Isabela.








