Comunicação e cuidados ampliados no atendimento ao paciente encerram os debates do Saúde em Movimento 2026 26/03/2026 - 20:36

Patrícia de Jesus Capelo, coordenadora da Vigilância Sanitária da Sesa, destacou a comunicação como ferramenta essencial para o fortalecimento do vínculo entre profissionais e pacientes. “Estudos relatam que mais de 70% dos erros graves na assistência à saúde derivam de falhas de comunicação. Já a habilidade de se colocar no lugar do paciente de modo empático melhora os resultados clínicos e gera cerca de 65% de satisfação”, afirmou. A adaptação da linguagem ao público e a comunicação não-violenta foram apontadas como ações importantes nesse processo.

A imunização ao longo da vida como pilar para o envelhecimento saudável e a redução das desigualdades sociais foi o tema central de Francieli Fontana, Oficial Nacional de Imunização da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Embora a região das Américas apresente avanços históricos, a sustentabilidade desses resultados depende da manutenção de altas coberturas vacinais. Apesar de o Brasil ser referência global com o Programa Nacional de Imunizações (PNI), Francieli aponta que ainda há gargalos. “A recomendação é implementar estratégias inovadoras, como o microplanejamento e o fortalecimento da comunicação. Investir em vacinação é, fundamentalmente, impulsionar o desenvolvimento econômico e social do país”.

Ainda sobre qualidade de vida, a médica geriatra Caren Muraro, da Divisão de Atenção à Saúde da Pessoa Idosa da Sesa, abordou a integração entre promoção à saúde e cuidados paliativos na gestão de doenças crônicas. Frequentemente vistas como áreas antagônicas, a especialista afirma que são complementares. “Enquanto a promoção da saúde busca dar autonomia ao cidadão, os cuidados paliativos garantem que esse suporte continue existindo mesmo quando a doença avança, focando no acolhimento físico e emocional em todas as etapas”, analisa.

Os dados apresentados reforçam a urgência do tema. As principais causas de mortalidade no mundo e no Brasil são as doenças crônicas não transmissíveis, impulsionadas pelo envelhecimento populacional e por condições cardiovasculares, neoplasias, diabetes e doenças respiratórias. Atualmente, cerca de 40% dos atendimentos em cuidados paliativos são destinados a idosos, 7% a crianças e 53% a adultos.

Caren revelou que intervenções ativas, como exercícios físicos e medicina integrativa (adotada por 40% dos pacientes oncológicos), são fundamentais para reduzir a fadiga e a depressão. A aplicação precoce de cuidados paliativos, além de oferecer melhor sobrevida, desonera o sistema público ao reduzir internações hospitalares e o uso de serviços de emergência.

Finalizando a mesa-redonda, a modernização da gestão pública foi a temática de Leandro Seiti Anazawa, do escritório Proadi-SUS/Hospital Israelita Albert Einstein. Ele demonstrou como o monitoramento de resultados pode transformar dados em evidências e aumentar a eficácia das políticas públicas. Leandro defendeu a cultura da avaliação de programas como ferramenta estratégica. “É uma oportunidade de identificar melhorias para o aprimoramento contínuo, indo além do processo burocrático e garantindo que os serviços do SUS sejam precisos, eficientes e alinhados às necessidades reais da população”, concluiu.

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