Dia Mundial sem Tabaco alerta para riscos da Covid-19 em fumantes
29/05/2020 - 13:46

A Secretaria da Saúde do Paraná reafirma que os fumantes apresentam maior risco de contrair infecção pelo novo coronavírus. O tabagismo é fator que contribui para evolução de quadros mais graves e de óbitos pela doença.

O alerta é reforçado na semana do Dia Mundial sem Tabaco, marcado para 31 de maio. A data foi criada há 33 anos pela Organização Mundial da Saúde para intensificar as ações sobre doenças e mortes evitáveis relacionadas ao tabagismo.

O tabagismo é reconhecido como uma doença crônica causada pela dependência à nicotina, substância presente nos produtos à base de tabaco. É importante fator de risco para o desenvolvimento de vários tipos de câncer, acidentes vasculares cerebrais e ataques cardíacos; também está associado a outras doenças crônicas como tuberculose, infecções respiratórias, úlcera gastrintestinal, infertilidade em mulheres e homens, osteoporose e catarata.

Diante da pandemia da Covid-19, a Secretaria da Saúde do Paraná divulgou Nota Orientativa ressaltando os riscos do tabagismo e do uso e compartilhamento do narguilé para a infecção pelo novo coronavírus. A Nota, publicada pela Sesa, informa que “entre os pacientes chineses diagnosticados com pneumonia associada ao coronavírus, as chances de progressão da doença foram 14 vezes maiores entre as pessoas com histórico de tabagismo”.

O Paraná, por meio da Sesa, foi o primeiro estado a inserir o tabagismo na notificação de casos suspeito da Covid-19, como condição de risco para as complicações pela doença.

“Isso demonstra a atenção e preocupação da Secretaria da Saúde do Paraná com o tabagismo. O momento é de sensibilização junto à população sobre os malefícios do tabaco; quem fuma tem mais chances de adoecer e ainda dissemina o tabagismo passivo, que é a exposição e inalação da fumaça tóxica por pessoas próximas, além dos danos provocados ao meio ambiente”, afirma o secretário da Saúde do Paraná, Beto Preto.

“Fumar, em si, já é um facilitador para o desenvolvimento de quadros de doenças pulmonares, com redução da capacidade cardiorrespiratória; mas, além disso, é preciso salientar o fator de transmissão do coronavírus, como por exemplo, ao compartilhar o fumo do narguilé, que normalmente é uma ação feita em grupos e coloca os usuários em risco de contaminação, inclusive por outras doenças infectocontagiosas como tuberculose e hepatites virais”, destaca a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes.

“Outros fatores também possibilitam a contaminação como o preparo manual do narguilé e a umidade da fumaça que promove a sobrevivência de micro-organismos, por isso nosso alerta; estabelecimentos públicos, como cafés, bares, restaurantes e outros sem exceções, têm responsabilidade em coibir o uso do narguilé”, complementa.

Dados – O Inca, Instituto Nacional de Câncer, informa que no Brasil estima-se que 438 pessoas morrem por dia em decorrência do consumo do tabaco.

Estudo do Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), realizado em 2019, nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal, com um universo de 52.443 entrevistas, apontou 9,8% de fumantes. O índice é 0,5% mais alto que o apurado em 2018.

Em Curitiba, a mesma pesquisa entrevistou 2.058 pessoas ; 12% dos homens e 11% das mulheres declararam-se fumantes, sendo a terceira capital do país com a maior frequência de mulheres fumantes.

Recomendação – Desde o início do período de pandemia, a Sesa recomenda a suspensão das ações de tratamento para novos grupos de cessação do tabagismo  para evitar o encontro de pessoas e a exposição do paciente nas unidades de saúde, uma vez que há grande possibilidade desses ambientes receberem pessoas com quadros compatíveis com a infecção pelo coronavírus.

A Sesa também publicou e atualizou Nota Orientativa recomendando que as equipes do Programa de Cessação do Tabagismo priorizem os atendimentos à distância, sempre com a premissa de garantir a segurança dos profissionais e usuários .“Sugerimos que os profissionais que tratam tabagistas também organizem os contatos de pacientes que estão aguardando, garantindo o direito ao tratamento logo que for superado este período crítico da Covid-19”, informa a coordenadora de Promoção da Saúde, Elaine Oliveira.

Segundo a coordenadora, a disponibilização dos medicamentos para o tratamento da cessação do tabagismo deve ser realizada apenas para as pessoas que estejam em tratamento por meio de abordagem cognitivo-comportamental associada. “Para os pacientes que já estão em tratamento e têm prescrição, os medicamentos estão sendo entregues pelas secretarias municipais e as orientações terapêuticas podem ser feitas por contato telefônico ou por meio de aplicativo”, informou.

Atualmente, 277 municípios do Paraná estão oferecendo o Programa de Cessação do Tabagismo e em 2019, 12.231 usuários foram beneficiados pelo programa em todo o Estado.

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