Iniciativa de profissionais da saúde de Ponta Grossa alerta sobre a violência contra a mulher
20/08/2020 - 14:55

Sete profissionais da Secretaria da Saúde do Paraná, que atuam na Atenção Primária da 3ª Regional de Saúde de Ponta Grossa, produziram um vídeo informativo e de apoio às mulheres vítimas de violência.

A violência contra a mulher é uma questão de relevância em saúde pública, que sofre agravamentos e aumento no número de casos neste período de pandemia.

A assistente social Luciana Querino explicou que a proposta do vídeo é alertar a mulher neste momento em que o isolamento social é uma das principais medidas de prevenção contra a Covid-19 e, ao mesmo tempo, apontado como um dos fatores de aumento de casos de violência.

“Consideramos que o distanciamento, tão fundamental durante a pandemia, não pode servir de desculpa para atos de violência nos ambientes domésticos e de trabalho”, afirma.

“A iniciativa das profissionais é um exemplo de cidadania. O Governo do Estado aderiu recentemente à Campanha Nacional Sinal Vermelho para o enfrentamento da violência doméstica e a Secretaria da Saúde está atenta nesta questão, que também reflete em desequilíbrios em todas as esferas da sociedade, econômica, emocional e familiar”, reforçou o secretário da Saúde do Paraná, Beto Preto.

Panorama - No Paraná, em 2019, das 40.797 notificações de violência interpessoal e autoprovocada registradas, 76,3% ocorreram na residência, sendo que 68,4% foram praticadas contra mulheres.

Segundo dados da Sesa, referentes à notificação de violência interpessoal e autoprovocada, no período de janeiro a maio de 2020, houve predomínio da violência física (48,8%) praticada contra mulheres, seguida pela violência psicológica/moral (26%), negligência/abandono (14%), e violência sexual (13%). Os dados são preliminares sujeitos a alterações.

A diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes, explica que, no contexto da pandemia da Covid-19, em algumas situações, o isolamento social pode contribuir para este cenário, em especial acerca da violência doméstica contra mulheres, idosos, crianças e adolescentes. “Os serviços de saúde entre outros têm a responsabilidade compartilhada de protegê-los de qualquer tipo de violência, abuso, exploração e negligência”, disse.

Estratégias - A Sesa desenvolve estratégias prioritárias, com foco na atenção integral às pessoas em situação de violência, bem como garantia de acesso, a fim de minimizar os impactos que possam ocorrer considerando o atual contexto de pandemia no Paraná, Brasil e mundo.

A Divisão de Promoção da Cultura de Paz e Ações Intersetoriais é responsável pelo planejamento, coordenação, implantação e implementação de políticas públicas de saúde para a redução da morbimortalidade por violências e acidentes, através da descentralização das ações, por meio das 22 Regionais de Saúde e municípios de abrangência.

O atendimento às pessoas em situação de violência em todos os pontos da Rede de Atenção à Saúde segue mesmo no período da pandemia e acontece de acordo com as recomendações da Nota Orientativa nº 030 da Sesa, que trata da Prevenção de Violências e Atenção às Pessoas em Situação de Violência no Contexto da Pandemia de Covid-19 no Paraná, e da Resolução conjunta da Sesa e da Secretaria Estadual de Segurança (nº 03/2020), que firma termo de cooperação técnica para atendimento integral e humanizado às pessoas em situação de violência sexual.

Vídeo – O vídeo produzido pelas profissionais da 3ª Regional de Saúde de Ponta Grossa informa os canais de apoio nas situações de violência, como os números de telefone 190, da Polícia Militar, 180 do Serviço de Violência contra a Mulher e 100 para registro de casos de violências contra crianças, adolescentes e idosos; informa ainda o contato via aplicativo da Defensoria Pública do Paraná, que é o https://t.me/nudempr e o número 188 do Centro de Valorização da Vida.

O vídeo foi gravado sem áudio para que possa ser acessado a qualquer momento. “Nosso principal objetivo é dizer às mulheres vítimas de agressão que elas não estão sozinhas; que existem canais de denúncia e de auxílio; que é preciso consolidar esta rede para que as mulheres alertem outras mulheres e assim todas se apoiem”, ressaltou Luciana Querino.

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