Inovação e Ética: mesa redonda debate o futuro da saúde digital no SUS 26/03/2026 - 17:17

O evento Saúde em Movimento promoveu, nesta quinta-feira (26), um debate crucial sobre a transformação tecnológica na rede pública. A mesa redonda "Saúde Digital no SUS: inovação e acesso ao cuidado integral" reuniu especialistas para discutir como a digitalização pode deixar de ser apenas uma ferramenta administrativa para se tornar o pilar de um atendimento mais humano, ágil e seguro.

“O teleatendimento de saúde é um serviço que ultrapassa as barreiras físicas sem a necessidade de deslocar o paciente, garantindo agilidade, ampliação da oferta dos serviços e facilitando o acesso da população aos atendimentos”, comentou o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto.

O atendimento de telessaúde tem rompido barreiras geográficas. Mais do que consultas e exames por vídeo, a estratégia foi discutida como uma forma de fortalecer o vínculo com o território e ampliar o acesso ao serviço de saúde, já que o uso das plataformas digitais permite que especialistas cheguem a locais remotos.

Para ilustrar a aplicação prática dessas teorias, foi apresentada a experiência da Plataforma Paraná Saúde Digital. A ferramenta paranaense é uma referência no uso de soluções tecnológicas para avaliação e monitoramento em tempo real. A plataforma permite que gestores identifiquem gargalos na rede e tomem decisões baseadas em evidências, transformando dados brutos em inteligência estratégica para o atendimento à população.

O consenso entre os participantes foi de que a Saúde Digital é um caminho sem volta. O desafio para os próximos anos será integrar essas ferramentas de forma que a tecnologia seja invisível e o cuidado, cada vez mais presente.

Ética e LGPD -  Outro ponto discutido englobou o tema ética e Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) nos atendimentos de telessaúde. Neste sentido, a inovação não pode atropelar a segurança do paciente. O desafio central reside em garantir o sigilo das informações sensíveis e o uso responsável de dados em um ambiente hiperconectado.

Foi debatido também o papel estratégico da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS). A proposta é clara, acabar com as ilhas de informação. A interoperabilidade é a capacidade de diferentes sistemas conversarem. Quando um médico na atenção primária consegue visualizar o exame feito em um hospital especializado, o SUS ganha eficiência e o paciente ganha tempo.

A mesa foi composta pela coordenadora do Telessaúde Paraná Jéssica Oliveira de Lima; Elaine Cristina Vieira, coordenadora do Centro de Gestão da Informação, e Henrique Bonatti Rego Barbosa, Diretor de Governança, todos da Sesa; pelo doutor Felipe Ferré, assessor técnico do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e por João Pedro Braga Félix, diretor do departamento de Saúde Digital e Inovação do Ministério da Saúde.