Paraná amplia acesso ao tratamento contra o tabagismo em 336 municípios 31/05/2026 - 12:32

O Dia Mundial Sem Tabaco, lembrado em alusão em 31 de maio, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) destaca a importância da prevenção, do tratamento para cessação do tabagismo e da adoção de hábitos saudáveis, reforçando o alerta sobre os impactos do tabagismo na saúde e a necessidade de conscientização da população sobre os riscos associados ao cigarro convencional e aos dispositivos eletrônicos.

O Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT) ampliou sua cobertura no Paraná, atendendo 336 municípios com o serviço implantando, contando com equipes estruturadas para o tratamento de cessação do tabagismo em 1.184 estabelecimentos de saúde.

De setembro a dezembro de 2025, 6.511 pessoas foram atendidas pelas equipes de tratamento do tabagismo no Paraná. Os dados apontam participação predominantemente feminina, com 4.014 mulheres atendidas, correspondendo a 58,22% do total de pacientes. Os homens representam 41,78% dos participantes, com 2.881 atendimentos registrados.

Em relação à faixa etária, observa-se concentração expressiva entre adultos de 18 a 59 anos, grupo que representa 73,18% dos atendidos, totalizando 5.046 pacientes. Pessoas com 60 anos ou mais correspondem a 24,24% dos participantes, com 1.671 registros, enquanto menores de 18 anos representam 2,58% do total, com 178 pacientes acompanhados.

O secretário de Estado da Saúde, César Neves, reforça que o combate ao tabagismo é uma prioridade de saúde pública.

“O fortalecimento do Programa amplia o acesso da população ao tratamento gratuito e qualificado pelo SUS. Nosso objetivo é garantir acolhimento, acompanhamento e apoio para que cada vez mais paranaenses consigam abandonar o cigarro e tenham mais saúde e qualidade de vida”, declara.

As ações incluem abordagem cognitivo-comportamental, individual ou em grupo, além de apoio medicamentoso, quando necessário, com adesivos de nicotina, gomas, pastilhas e medicamentos como a bupropiona.

Dados da Sesa demonstram o impacto das doenças cardiovasculares no Paraná. Entre janeiro e março deste ano, foram registrados 13.491 internamentos relacionados a doenças cardiovasculares no Estado, sendo 6.903 pacientes do sexo masculino e 6.588 do sexo feminino, no mesmo perído de 2025, foram registrados 12.570, evidenciando a relação entre fatores de risco, como tabagismo, e o agravamento das doenças cardiovasculares.

De acordo com especialistas, o tabagismo continua sendo um dos principais fatores de risco evitáveis para doenças cardiovasculares, respiratórias e diversos tipos de câncer. Além dos danos provocados pelo cigarro tradicional, os cigarros eletrônicos — conhecidos como pods e vapes — têm preocupado profissionais de saúde pelo aumento do consumo entre os jovens.

O cardiologista Maurício Dallagrana, diretor clínico do Hospital Infantil Waldemar Monastier, explica que os efeitos do tabaco no organismo são amplos e podem causar complicações graves.

“O tabagismo torna o organismo muito mais propenso à ocorrência de infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, impotência sexual e fenômenos oclusivos em diferentes territórios arteriais do corpo, podendo levar até mesmo à necessidade de amputações ou cirurgias de emergência”, destacoa o especialista.

O médico também faz um alerta sobre os cigarros eletrônicos.

“Existe uma falsa percepção de que os dispositivos eletrônicos seriam alternativas inofensivas. Na realidade, eles entregam altas doses de nicotina e outras substâncias nocivas que causam rigidez arterial, aumentam a pressão arterial e elevam o risco de infartos e arritmias. Além dos danos cardiovasculares, também estão associados a doenças pulmonares e ao aumento do risco de câncer”, completa.

A aposentada Roszangela Abbud, de 66 anos, conseguiu abandonar o cigarro após décadas de dependência e hoje relata mudanças significativas na qualidade de vida.

“Fumei desde a adolescência e, quando completei 40 anos, me propus a parar porque sentia muito cansaço e fui diagnosticada com hipertensão. Fiz várias tentativas para parar e não consegui. Fumei até os 56 anos”, contou.

Após abandonar o cigarro, a rotina mudou completamente.

“Hoje tenho 66 anos, pratico atividade física três vezes por semana, faço passeios com grupos de amigos com disposição e leveza. E hoje desfruto dos aromas e sabores que a nicotina não me deixava perceber”, afirmou.

A Sesa orienta que pessoas interessadas em parar de fumar procurem a Unidade Básica de Saúde mais próxima para obter informações sobre os programas de cessação do tabagismo disponíveis na rede pública.

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