Paraná distribui mais de 310 mil cápsulas do medicamento para tratamento da esporotricose felina 17/02/2026 - 10:25

O Paraná é o estado pioneiro na distribuição gratuita para os municípios do medicamento itraconazol, remédio é utilizado no tratamento da esporotricose em gatos. Em 2025, a distribuição realizada pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), totalizou 310.250 cápsulas destinadas exclusivamente ao tratamento de gatos diagnosticados com a doença. Esse volume reflete a alta demanda e a importância do programa de saúde pública implementado. Já em 2026, a distribuição continua em ritmo expressivo, com aproximadamente 67.500 cápsulas entregues para as regionais de saúde em janeiro.

A esporotricose é uma zoonose que preocupa cada vez mais a saúde pública. A iniciativa estadual busca combater a disseminação da doença em animais e humanos, por meio do tratamento dos gatos domésticos, que são os principais transmissores. Durante o ano de 2025, foram notificados 5.735 casos de esporotricose felina e 1.230 casos em humanos.

Essa política de distribuição gratuita e acessível é fundamental para garantir a adesão ao tratamento, que é longo e oneroso, e para interromper o ciclo de transmissão da esporotricose, contribuindo decisivamente para a saúde única no estado.

De acordo com o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto o combate à esporotricose representa uma prioridade inegociável e estratégica para a saúde pública do Paraná. Este compromisso sublinha a seriedade com que o Governo do Estado encara o tema diariamente.

Para tanto, é importante que o adequado diagnóstico e tratamento dos pacientes, que é uma atribuição da atenção primária em saúde, ocorram paralelamente ao tratamento dos animais que se encontram no mesmo domicílio, visando interromper a cadeia de transmissão e proteger a população paranaense.

“O compromisso do estado com a saúde se reflete na distribuição gratuita de medicamentos e esta iniciativa não é apenas um marco logístico, é um dever ético e humanitário, com foco na saúde e bem-estar da população”, destacou Beto Preto.

TRANSMISSÃO - A transmissão da esporotricose do gato doméstico para o humano ou para outros animais ocorre principalmente pelo contato com o fungo do gênero Sporothrix, que está presente predominantemente no líquido que vaza das lesões nas vias aéreas, na saliva e, inclusive, nas unhas do animal doente, mesmo que este esteja assintomático (o que não é comum).

A mordedura, arranhaduras, e a inalação de gotículas respiratórias podem transmitir a doença, pois o fungo está presente em todas essas vias. O fungo entra no organismo através de uma lesão, como um corte ou arranhão na pele ou mucosa.

Em humanos, a transmissão da esporotricose é mais comum no estado do de forma zoonótica, principalmente por arranhaduras e mordidas de gatos contaminados com o fungo (Sporothrix sp). A transmissão através do contato com materiais vegetais ou matéria orgânica contaminada é rara no Paraná, a maioria dos casos em humanos evolui de forma benigna e pode ser tratada na Atenção Primária à Saúde (APS), desde que a detecção seja oportuna e precoce.

As recomendações de prevenção incluem manter gatos domésticos dentro de casa, usar luvas ao manusear animais suspeitos, durante o tratamento o animal, deverá ficar isolado de outros animais e humanos durante o período de cura, para não disseminar a doença, pois o fungo poderá ficar viável para contaminação também em fômites.

A Sesa alerta a população para que não abandone animais doentes e, em casos de animais comunitários com sintomas, a Unidade de Vigilância de Zoonoses deve ser acionada imediatamente. A Unidade fará a investigação ambiental e tomará as medidas necessárias de vigilância em saúde.

TRATAMENTOS - O tratamento da esporotricose humana exige acompanhamento médico, com duração que pode variar de três meses a um ano até a cura completa. Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o paciente tem acesso gratuito aos medicamentos antifúngicos e, em casos graves ou disseminados, às formulações lipídicas de anfotericina B. Já os tutores de felinos contaminados recebem o medicamento (Itraconazol) a partir da notificação na Vigilância em Saúde, com o diagnóstico e prescrição fornecido pelo médico veterinário.

Para garantir o tratamento humano, o cidadão deve buscar atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua residência, onde receberá a orientação clínica e a prescrição necessária para a retirada da medicação diretamente na rede pública.

Para o controle da transmissão em animais, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) disponibiliza o itraconazol para o tratamento de gatos infectados por meio das estruturas de Vigilância em Saúde dos municípios. Diferente do fluxo humano, para o acesso ao medicamento animal, o tutor deve apresentar a prescrição prévia emitida por um médico veterinário. Essa medida é uma estratégia fundamental de saúde pública para interromper o ciclo de transmissão da doença, reforçando que o tratamento não deve ser interrompido sem a cura clínica atestada, a fim de evitar a reincidência e a resistência do fungo.

SINTOMAS - Os sintomas iniciais em humanos são caroços vermelhos (nódulos) indolores na pele, que evoluem para feridas (úlceras) de cicatrização lenta. Essas lesões costumam seguir o trajeto dos vasos linfáticos (linfocutânea), principalmente nas mãos, braços ou pernas, locais de inoculação mais comuns.

Nos felinos, considerados as principais vítimas e hospedeiros da doença, a manifestação clínica ocorre predominantemente por lesões de pele presentes principalmente na face e nos membros. Deve-se observar o surgimento de lesões crônicas, localizadas preferencialmente na cabeça e nas extremidades. Em alguns casos, os gatos podem apresentar intumescimento nasal (popularmente conhecido como “nariz de palhaço”) devido à contaminação das vias aéreas respiratórias, mesmo sem lesões cutâneas visíveis.

É crucial procurar atendimento profissional ao observar qualquer sintomas para um diagnóstico e tratamento adequados, evitando a disseminação e o agravamento da infecção.