Primeiro serviço de atendimento ao trauma do Brasil, SIATE do Paraná completa 36 anos 26/05/2026 - 12:08

Referência nacional em atendimento pré-hospitalar, o Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (SIATE) completa 36 anos de atuação no Paraná. Criado oficialmente em 1990, o sistema pioneiro no Brasil nasceu da integração entre segurança pública e saúde para atender vítimas de trauma, especialmente em acidentes de trânsito, e se consolidou ao longo das décadas como um dos principais serviços de emergência do Estado.

No ano de 2025, foram 80.809 atendimentos realizados pelo SIATE em todo o Estado. Atualmente, o CBMPR conta com 86 viaturas operacionais e cerca de 340 bombeiros socorristas, atendendo uma média de 221 ocorrências por dia. Entre os casos mais frequentes estão sinistros de trânsito e quedas de pessoas.

O secretário da Segurança Pública do Paraná, Saulo Sanson, destacou a importância histórica do serviço e o trabalho integrado entre as instituições. “O SIATE representa um marco para a segurança pública e para a saúde no Paraná. Ao longo desses 36 anos, milhares de vidas foram salvas graças ao comprometimento dos bombeiros socorristas, médicos, enfermeiros e demais profissionais envolvidos nesse atendimento. É um serviço que orgulha o Paraná e demonstra a força da parceria entre a Sesp e a Secretaria da Saúde em benefício da população”, afirmou.

O secretário estadual da Saúde, César Neves, ressaltou o pioneirismo do serviço e a integração entre as áreas para garantir atendimento rápido e qualificado às vítimas. “O SIATE é um sistema de atendimento pré-hospitalar ao trauma pioneiro no País e que nasceu aqui no Paraná. Este sistema fez e faz, diariamente, a diferença entre a vida, a morte e pacientes com sequelas”, disse.

"O SIATE do Paraná serviu de modelo para o Governo Federal e para outros estados brasileiros e, durante a gestão do governador Carlos Massa Ratinho Junior, foi regulamentado no Estado, tornando a parceria entre Sesp e Sesa ainda mais integrada e fortalecida", complementou.

HISTÓRIA – O Sistema Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência começou a ser concebido em 1988, quando o Governo do Estado criou uma comissão para estruturar um modelo inédito de atendimento pré-hospitalar no País. Até então, vítimas de acidentes eram transportadas em veículos comuns, sem protocolos específicos ou estrutura adequada para estabilização durante o deslocamento.

O projeto, desenvolvido em parceria com a Prefeitura de Curitiba e a Universidade Federal do Paraná (UFPR), contou ainda com apoio técnico internacional. Após cerca de um ano e meio de estudos, o SIATE foi oficialmente implantado em 29 de março de 1990. O primeiro atendimento ocorreu em maio daquele ano, quando uma vítima de intoxicação foi socorrida e encaminhada ao hospital em poucos minutos.

O comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná, coronel Antonio Hiller Lino, destacou que a trajetória do SIATE acompanha a própria evolução operacional da corporação. “O Corpo de Bombeiros sempre buscou aperfeiçoar seus serviços e acompanhar as transformações da sociedade e das emergências atendidas no Paraná. O SIATE nasceu pioneiro e, ao longo dessas décadas, evoluiu em estrutura, capacitação e tecnologia, mantendo o compromisso de oferecer um atendimento cada vez mais rápido, técnico e humanizado para a população”, afirmou.

EVOLUÇÃO OPERACIONAL – Os primeiros anos do SIATE foram marcados pela adaptação e pela construção prática dos protocolos utilizados atualmente. Muitos equipamentos precisavam ser importados e as primeiras ambulâncias foram desenvolvidas especificamente para o serviço a partir da experiência dos bombeiros e profissionais de saúde envolvidos na implantação do sistema.

O sargento Nilson Antonio Machado acompanhou grande parte dessa transformação em seus 33 anos atuando exclusivamente no SIATE. Segundo o bombeiro, as mudanças na legislação de trânsito, o uso obrigatório do cinto de segurança, a evolução dos veículos e novas normas de segurança ajudaram a reduzir a gravidade dos acidentes ao longo dos anos. Ao mesmo tempo, o crescimento populacional, a expansão urbana e o aumento da frota também elevaram a demanda por atendimentos.

“O SIATE mudou muito desde o início. Nós trabalhávamos com ambulâncias maiores, materiais mais limitados e muitos equipamentos vinham de fora do Brasil. Com o tempo, o atendimento foi evoluindo, surgiram novos protocolos, materiais melhores e mais tecnologia para o nosso trabalho. Hoje temos uma estrutura muito mais preparada para atender a população”, disse.

Machado também destacou que o perfil das ocorrências acompanhou as mudanças da sociedade. “Depois da pandemia, por exemplo, aumentaram muito os acidentes envolvendo motocicletas por causa dos serviços de entrega. Ao mesmo tempo, a população cresceu, surgiram mais empresas, mais veículos e isso também impacta diretamente no número de atendimentos realizados pelo SIATE”, explicou.

O coordenador estadual do SIATE, major Thiago Schinzel, afirma que um dos principais avanços do serviço foi a profissionalização do atendimento pré-hospitalar no Paraná. “O maior salto qualitativo foi estrutural, com a criação de protocolos médicos sistematizados e a triagem centralizada pelo COBOM [Centro de Operações dos Bombeiros]. Outro avanço importante foi a interiorização do serviço, que levou o SIATE para cidades estratégicas do Estado a partir de 1995. Além disso, a integração entre Corpo de Bombeiros, Secretaria da Saúde e municípios fortaleceu ainda mais o atendimento de urgência e emergência no Paraná”, afirmou.

O major também ressaltou que a capacidade de adaptação do SIATE é um dos fatores que mantêm o serviço como referência nacional. “O SIATE se mantém como referência porque nunca parou de se reinventar, sem perder de vista aquilo que motivou sua criação: chegar rápido, com preparo, e salvar vidas”, completou.

OCORRÊNCIAS MARCANTES – Ao longo de mais de três décadas de atuação, o sargento Machado participou de algumas das ocorrências de maior repercussão no Paraná. Entre elas, um grave acidente registrado na BR-116, atual Linha Verde, no início da década de 1990, envolvendo um ônibus e um automóvel.

Segundo ele, a tragédia evidenciou a necessidade de criação de protocolos específicos para atendimento com múltiplas vítimas, modelo que passou a ser implantado posteriormente no serviço e ajudou a aprimorar tanto a atuação das ambulâncias quanto o preparo hospitalar para situações de grande porte.

O bombeiro também esteve presente no atendimento ao acidente do teleférico de Matinhos, em 1995, além de milhares de outras ocorrências ao longo da carreira. “A gente acaba carregando muitas histórias desses anos todos de serviço. O mais importante é olhar para trás e ver quantas vidas foram ajudadas pelo SIATE ao longo desse tempo. Isso dá um sentimento muito grande de orgulho para todos nós que fizemos parte dessa trajetória”, afirmou.

 

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