Profissionais debatem a transversalidade das linhas de cuidado em saúde mental durante o Saúde em Movimento 26/03/2026 - 14:00

O cuidado com a saúde mental não pode ser uma ilha isolada dentro do sistema de saúde. Essa foi uma das premissas da mesa redonda "Saúde Mental: Transversalidade com as Linhas de Cuidado", realizada nesta quinta-feira (26), durante o Saúde em Movimento, evento realizado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). O debate reuniu especialistas e gestores para discutir como tirar a saúde mental do isolamento clínico e integrá-la, de forma prática, a todas as etapas da assistência ao cidadão.

“Esse é um tema importante, e nesse sentido, nossos trabalhadores da saúde estão se qualificando para atender as necessidades de saúde mental da população levando em conta a integralidade dos cuidados”, disse o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto.

Um dos pontos altos da discussão foi a análise dos determinantes sociais. O diretor do departamento de saúde mental, álcool e outras drogas do Ministério da Saúde, Marcelo Kimati Dias, enfatizou que o sofrimento psíquico muitas vezes é moldado por onde o paciente vive, trabalha e se relaciona.

Nesse sentido, o território sociel é determinante quando o assunto é saúde mental e adequar a oferta de atendimento aos novos conceitos, é fundamental. Como por exemplo, o teleatendimento para dependência em jogos e apostas online. A procura espontânea por atendimento presencial ainda é baixa e desta forma, o teleatendimento foi estruturado justamente para ampliar o acesso ao cuidado de forma reservada, segura e acessível.

“Território dita saúde, e territorializar os atendimentos é uma forma de captar as vulnerabilidades específicas de cada comunidade”, disse.

O conceito de transversalidade também foi explorado em como a capacidade de a saúde mental permear outras linhas de cuidado, como a saúde da mulher, a oncologia e o acompanhamento de doenças crônicas. Um dos obstáculos é garantir a integralidade, que basicamente é olhar o indivíduo em sua totalidade, e não apenas como um diagnóstico fragmentado.

Sandra Fortes, da UERJ e que participa do PlanificaSus Paraná no grupo de Pesquisa Saúde Mental na Atenção Primária, enfatizou que o cuidado com a saúde mental na atenção primária não deve ser direcionado exclusivamente para pessoas com transtornos mentais. “A perspectiva de cuidado integral engloba todas as pessoas atendidas, todas as consultas. A linha de cuidados precisa ser contínua, acolhedora e, acima de tudo, sensível à realidade social de quem busca”, disse.

SAÚDE EM MOVIMENTO – O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa), promove entre terça e quinta-feira (24 a 26), no Expotrade, em Pinhais, o “Saúde em Movimento 2026”, evento que propõe atualizar gestores, prestadores e trabalhadores da área em ações estratégicas para o fortalecimento da Rede de Atenção à Saúde do Estado.

O evento reúne diretores e técnicos de diversas áreas da Sesa, secretários municipais de saúde dos 399 municípios, dirigentes e apoiadores do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Paraná (Cosems/PR), diretores dos Consórcios Intermunicipais de Saúde, tutores do PlanificaSUS Paraná, coordenadores da Atenção Primária à Saúde (APS), Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE).

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