Nirsevimabe

Anticorpo monoclonal com ação neutralizante contra o vírus sincicial respiratório (VSR), indicado para a prevenção de doença grave do trato respiratório inferior causada pelo VSR em pacientes pediátricos de alto risco.

Para crianças nascidas prematuras (≤ 36 semanas e 6 dias), a administração deve ocorrer o mais precocemente possível após o nascimento, contemplando uma única sazonalidade.

Para crianças com comorbidades, como cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica, doença pulmonar crônica da prematuridade, imunocomprometimento grave, fibrose cística, doenças neuromusculares graves, síndrome de Down, anomalias congênitas das vias aéreas e doenças pulmonares graves, a administração pode ocorrer por até duas sazonalidades, conforme orientação do Ministério da Saúde.

 


 

Fluxo para solicitação e cadastro de paciente

a) Solicitação hospitalar:

  • Crianças prematuras (≤36 semanas e 6 dias) após solicitação médica receberão a dose antes da alta hospitalar ou durante a internação neonatal, durante todo o ano.
  • Crianças após solicitação médica por comorbidades diagnosticadas receberão a dose antes da alta hospitalar nas maternidades Centro Intermediários de Imunobiológicos Especiais (CIIE),  desde que dentro do período da sazonalidade.

OBS: Caso a maternidade se encontre em desabastecimento do Nirsevimabe no momento da alta do prematuro, deverá orientar aos familiares a procurarem o serviço da APS o mais precoce possível, para realizar a inclusão do pedido e aguardar o fluxo de solicitação via  APS.

b) Solicitação APS:

Demais crianças que tem a indicação da medicação devem comparecer à Atenção Primária em Saúde (APS) de seu território com a documentação prevista no item 2.4 da Nota Técnica nº02/2026.

 

 


 

Quais os locais de aplicação?

Maternidade CIIE ou Atenção Primária em Saúde.


 

Critérios de inclusão e exclusão para o Nirsevimabe

Grupo elegível Critérios para indicação Observações/Exclusões
Cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica CID-10 cód. Q20 a 26

◼ Cardiopatia acianótica com uso de medicamentos para insuficiência cardíaca e indicação cirúrgica.

◼ Hipertensão pulmonar moderada a grave.

◼ Necessidade de uso contínuo de medicamentos específicos

 

Não indicado para: 

a. Doença cardíaca sem repercussão (ex.: CIA ostium secundum, DSV pequeno, estenoses leves, PDA leve). 

b.Lesão corrigida cirurgicamente sem uso de medicamentos. 

c. Cardiopatia leve sem tratamento. Segunda sazonalidade: apenas se mantida repercussão clínica e uso de medicação

Doença pulmonar crônica da prematuridade (DPCP) 

CID-10 cód. P27.1

◼ Prematuros dependentes de O₂ ≥28 dias de vida com alterações radiográficas.

◼ Necessidade de oxigênio até 36 semanas de idade corrigida. 

◼ Uso de suporte terapêutico (oxigênio, corticoide, diurético) nos últimos 6 meses antes da segunda sazonalidade

Não indicado no segundo ano de vida se não houve necessidade de suporte terapêutico nos 6 meses anteriores ao período sazonal.

Imunocompro- metidos graves (inato ou adquirido) 

CID-10 cód. D80 a D84.9

◼ <12 meses com CD4+ ≤750 células/mm³.

◼ 12 a 24 meses com CD4+ ≤500 células/mm³. 

◼ Erros inatos graves da imunidade. 

◼ Uso de corticoides em altas doses (>2 mg/kg/dia ou ≥20 mg/dia por >2 semanas). 

◼ Transplantados de órgãos sólidos ou TCTH. 

◼ Doenças oncológicas em tratamento ou pós-quimioterapia e/ou radioterapia.

Aplicável também a neoplasias hematológicas em tratamento.

Fibrose cística

CID-10 cód. E84

◼ Doença pulmonar grave (ex.: internação prévia por exacerbação).

◼ Alterações persistentes em imagem pulmonar. 

◼ Peso/estatura <10º percentil.

Indicação restrita aos casos com comprometimento clínico importante.

Doenças neuromuscula- res graves 

CID-10 cód. G70.2, P94.0 a P94.9

Crianças com fraqueza muscular respiratória que comprometa ventilação, tosse e eliminação de secreções. Inclui: AME 0/1, SMARD1, neuropatias e distrofias congênitas graves, doenças mitocondriais, miopatias congênitas graves, doença de Pompe infantil, entre outras listadas. Alto risco de evolução rápida para insuficiência respiratória aguda por VSR.

Síndrome de Down

CID-10 cód. Q90.0 a Q90.9

◼ Todas as crianças com idade inferior a 24 meses de idade. Independentemente de presença de cardiopatia ou outras comorbidades

Anomalias congênitas das vias aéreas e doenças pulmonares graves

CID-10 cód.Q30 a Q34

Crianças <24 meses com alterações estruturais que comprometam ventilação/depuração de secreções, como: 

◼agenesia/hipoplasia pulmonar, 

◼cistos broncogênicos,

◼ sequestro pulmonar,

◼ traqueomalácia grave,

◼ estenose traqueal,

◼ compressões vasculares,

◼ síndromes (Pierre Robin, Apert), entre outras.

Considerar especialmente se houver internações respiratórias recorrentes, necessidade de oxigênio, suporte ventilatório ou dificuldade relevante de eliminação de secreções

 

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